Oleg Stjepanovic/AP
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Mladic chega à prisão do Tribunal Internacional em Haia

Julgamento do ex-general servo-bósnio deve começar em no máximo uma semana

Efe

31 de maio de 2011 | 19h55

HAIA - O ex-general servo-bósnio Ratko Mladic chegou nesta terça-feira, 31, à prisão do Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII), onde irá aguardar seu julgamento e realizar exames médicos, confirmou Nerma Jelacic, uma porta-voz do órgão.

 

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Mladic, detido na quinta-feira passada na Sérvia, foi extraditado nesta terça pelas autoridades de Belgrado depois que um tribunal especial sérvio rejeitou o recurso da defesa contra sua transferência à corte internacional. Ele é considerado o responsável pelo massacre de 8 mil muçulmanos em Srebrenica, durante a Guerra da Bósnia (1992-1995) e acusado de cometer crimes contra a humanidade.

 

A confirmação do TPII aconteceu depois de um helicóptero da Polícia Nacional da Holanda aterrissar nas instalações penitenciárias, situadas em Scheveningen, perto de Haia. O centro de detenção da Organização das Nações Unidas (ONU) tem como norma não facilitar informações sobre onde ficam seus detidos e por isso não divulga a cela que Mladic ocupará, nem como ele foi transportado ao local.

 

Na prisão de Haia também está Radovan Karadzic, antigo líder político servo-bósnio, que junto de Mladic e do ex-presidente da Iugoslávia Slobodan Milosevic, fazia parte do grupo de homens mais procurados por causa dos crimes cometidos durante o conflito. Goran Hadzic, líder rebelde servo-croata também acusado pela ONU, é o último fugitivo do grupo.

 

Julgamento

 

A expectativa é que Mladic compareça pela primeira vez perante os juízes no prazo máximo de uma semana, em uma audiência na qual o acusado poderá se declarar culpado ou inocente das acusações. Caso se declare culpado, será necessário apenas organizar uma audiência para determinar a condenação, enquanto uma declaração de inocência implica no início dos preparativos do julgamento, que poderia unir-se ao de Karadzic pela semelhança entre as acusações de ambos.

 

Considerado o "Açougueiro de Srebrenica", Mladic, que rejeitou qualquer responsabilidade neste massacre, é acusado de genocídio pelo massacre de 8 mil muçulmanos nessa cidade bósnia em 1995 e também de crimes de lesa-humanidade e de guerra supostamente ocorridos durante o ataque de Sarajevo, que custou 10 mil vidas durante a Guerra Bósnia.

 

Túmulo da filha

 

Antes de ser enviado à prisão de Haia, porém, Mladic visitou no túmulo de Ana, sua filha, que cometeu suicídio em 1994. A polícia autorizou o ex-comandante a visitar o local, um cemitério perto de Belgrado, por uma hora, informaram fontes do governo. Uma comboio de veículos blindados levou Mladic de volta à sua cela antes de o servo-bósnio ser transportado.

 

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