AFP PHOTO / POOL / Peter Dejong
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Ex-comandante militar sérvio-bósnio é condenado à prisão perpétua por 19 mil mortes

Tribunal de Haia considerou Ratko Mladic culpado por ordenar o massacre de Srebrenica - praticado em julho de 1995 e considerado a pior atrocidade ocorrida desde a Segunda Guerra - e por comandar o cerco a Sarajevo, que durou quase 4 anos

O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2017 | 10h09
Atualizado 22 Novembro 2017 | 13h02

HAIA - O Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII) condenou nesta quarta-feira, 22, o ex-comandante militar sérvio-bósnio Ratko Mladic – conhecido como “Carniceiro dos Bálcãs – à prisão perpétua por genocídio e outros crimes contra a humanidade cometidos durante a Guerra da Bósnia (1992/1995). A Corte delcarrou Mladic culpado por ordenar o massacre de Srebrenica – em que 8 mil homens e muçulmanos foram mortos, considerado a pior atrocidade desde a Segunda Guerra – e pelas 11 mil mortes de civis ocorridas durante o cerco a Sarajevo, que foi comandado pelo ex-militar e durou quase quatro anos.

+++ Perfil: Ratko Mladic, o responsável pelo massacre de Srebrenica

“É tudo mentira! Vocês são mentirosos”, gritou Mladic, de 74 anos, ao ser retirado da sala do tribunal, pouco antes de o veredicto ser anunciado. De acordo com a sentença, o ex-militar Ratko “compartilhava a intenção” e “o objetivo criminoso” de exterminar os muçulmanos durante a Guerra na Bósnia.

No massacre de Srebrenica, ocorrido em julho de 1995, homens e meninos de origem islâmica foram postos em ônibus e conduzidos às execuções. “Os crimes (de Mladic) estão entre os mais hediondos já cometidos na história humana. Incluem genocídio e extermínio, crimes contra a humanidade”, declarou o juiz que presidiu o TPII nesse caso, Alphons Orie. “ Muitos desses homens e meninos foram xingados, insultados, ameaçados, forçados a cantar canções sérvias e espancados enquanto aguardavam suas execuções.

Antes de Mladic ser retirado do tribunal, sua defesa tentou suspender a sessão, alegando que o réu sofria de pressão alta.

Reações

A sentença, porém, não agradou a Munira Subasic, presidente da associação das mães dos mortos em Srebrenica. "Estou parcialmente satisfeita. É mais que para (Radovan) Karadzic (condenado a 40 anos de prisão pelo TPII, em março de 2016). Mas não o declararam culpado da acusação de genocídio em vários outros povoados", afirmou.

O Alto-Comissariado da ONU para os Direitos Humanos qualificou a condenação de Mladic como uma "vitória crucial para a Justiça". “Mladic é a essência do mal, comandou alguns dos crimes mais sombrios cometidos na Europa depois da Segunda Guerra", afirmou Zeid Ra’ad Al-Hussein, que integrou a Força de Proteção da ONU para a ex-Iugoslávia entre 1994 e 1996.

Mladic foi condenado por dez acusações de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. O ex-militar recorrerá da sentença. / REUTERS, AFP e EFE 

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