Mladic, o homem mais procurado na Europa por crimes de guerra, é preso

Ex-comandante servo-bósnio é considerado responsável pela morte de 8 mil em Srebrenica

Estadão.com.br, com AP

26 de maio de 2011 | 08h23

Atualizado às 19h25

 

Captura de Mladic era ponto crucial na relação entre Sérvia e União Europeia

 

BELGRADO - O general servo-bósnio Ratko Mladic, o fugitivo mais procurado na Europa por crimes de guerra, foi preso na Sérvia, informou quinta-feira, 26, a imprensa local. O presidente da Sérvia, Boris Tadic, confirmou a prisão de Mladic em uma conferência de imprensa. Mladic é considerado o responsável pelo massacre de 8 mil muçulmanos em Srebrenica durante a Guerra da Bósnia.

 

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Os detalhes de sua captura não foram revelados oficialmente, mas sabe-se que a operação foi realizada pelo serviço de inteligência sérvio e por agentes especiais encarregados das buscas pelos acusados de crimes de guerra na região dos Bálcãs. De acordo com os meios locais, a prisão ocorreu na aldeia de Lazarevo, 80 quilômetros ao norte de Belgrado, onde o ex-general se escondia sob o nome de Milorad Komadic.

 

O ex-comandante militar dos sérvios da Bósnia não ofereceu resistência à prisão, mas estava armado com duas pistolas. Junto do ex-líder político Radovan Karadzic e do ex-presidente da antiga Iugoslávia Slobodan Milosevic, Mladic era o último dos principais homens procurados pelos crimes de guerra durante o conflito na Bósnia, no início dos anos 1990.

 

A imprensa croata, que primeiro divulgou a história, disse que a polícia obteve confirmação de seus colegas sérvios de que a análise de DNA confirmou a identidade de Mladic, que se apresentou com o nome falso. Ele foi levado a um interrogatório com um juiz sérvio, mas a audiência foi interrompida devido ao seu estado de saúde precário.

 

Declarações de Tadic

 

"Hoje fechamos um capítulo difícil de nossa história recente", declarou o presidente sérvio à imprensa.

"Estou muito orgulhoso de nossas forças de segurança e quero felicitar-lhes. É muito bom para a Sérvia que este capítulo esteja fechado. Acho que todas as portas para nossa entrada na União Europeia (UE) estão abertas", disse Tadic

 

"A Sérvia cooperou com o Tribunal (Internacional) de Haia e as críticas recebidas (no passado sobre a falta de cooperação com a Corte) já não são válidas", acrescentou o presidente sérvio. Tadic negou veementemente que a Sérvia tenha sido negligente na procura do criminoso de guerra.

  

Tribunal Penal Internacional

 

Mladic está foragido desde 1995, quando foi indiciado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) da ONU por crimes de guerra em Haia, na Holanda, por genocídio durante massacre de cerca de 8 mil muçulmanos bósnios em Srebrenica e outros crimes cometidos por suas tropas durante a guerra da Bósnia 1992-1995.

 

O procurador-geral do Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII), Serge Brammertz, reconheceu nesta quinta-feira "o trabalho realizado" pelas autoridades sérvias para deter o ex-general. "Agradecemos (às autoridades sérvias) o cumprimento de suas obrigações para o Tribunal e para a justiça", indicou Brammertz em comunicado, no qual destaca os "esforços da comunidade internacional ao apoiar as medidas que asseguravam" a detenção de Mladic.

 

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