Zacarias Garcia/EFE
Zacarias Garcia/EFE

Moderados devem sair vitoriosos na Tunísia

Os resultados da primeira eleição da primavera árabe estão previstos para segunda-feira, 24, com expectativa de vantagem para os islâmicos do Ennahda

TÚNIS, / NYT, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2011 | 03h02

Os tunisianos foram às urnas no sábado, 22, nas primeiras eleições da primavera árabe. O resultado, com previsão favorável aos moderados do partido Ennahda, deve sair amanhã após meses de trocas de acusações e ásperos debates a respeito da influência do "dinheiro sujo" na campanha.

Os líderes do Ennahda são acusados pelos liberais de ter usado dinheiro dos aliados do Golfo Pérsico. Ao mesmo tempo, islâmicos radicais e habitantes do interior mais pobre, acusavam os liberais de see beneficiar do dinheiro da elite empresarial do ex-ditador. Esta eleição servirá de indicador de tendência para o mundo árabe; de um lado, o debate em torno da influência dos gastos com finalidade política se torna uma análise das forças que atuam no país e em toda a região.

Do outro, enfatiza a alegria, e o temor, que acompanharam o avanço da Tunísia para a democracia. Libertados da aberta opressão e corrupção do governo de Ben Ali, muitos agora temem que forças mais sutis tentem nos bastidores controlar o destino do país.

Em uma nação com baixa participação política nas bases, cem partidos competem para se apresentar ao público, "o caminho é muito fácil, e quaisquer que sejam os meios que eles têm à sua disposição, farão uma enorme diferença", disse Eric Goldstein, pesquisador do Human Rights Watch, que acompanha os passos da Tunísia desde a revolta.

As previsões são que o Ennahda, que tinha um longo passado de oposição antes que Ben Ali o destruísse, deverá obter o melhor resultado. Sua abordagem moderada e moderna da política islâmica atraiu os tunisinos.

Durante meses, o Ennahda foi alvo dos ataques de rivais que o acusavam de aceitar dinheiro estrangeiro, principalmente do Golfo Pérsico.

Acredita-se que os grupos islâmicos radicais, do Egito ao Líbano, dependam da ajuda das nações mais ricas e mais conservadoras do Golfo, mas as acusações tiveram uma repercussão intensa na Tunísia, em parte porque as autoridades procuraram impedir a sua penetração.

Embora as fontes de financiamento do Ennahda não tenham sido reveladas, os recursos são evidentes.

Membros do partido patrocinaram eventos locais, distribuíram brindes e refeições para a festa no final do Ramadan.

Para limitar gastos de campanha, a comissão que supervisiona a transição política procurou, em junho, impor normas , proibindo contribuições do exterior e até a aparição de candidatos na imprensa estrangeira.

Em resposta, o Ennahda retirou representantes da comissão. A liderança do partido disse em que eles saíram porque a comissão estava exorbitando sua autoridade, ou que as restrições comprometiam a possibilidade de falar aos cidadãos nas zonas eleitorais no exterior. Segundo membros da comissão, o Ennahda só apresentou objeções ao levantamento de fundos no exterior..

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