Moeda venezuelana cai 30% em 1 mês no paralelo

Apesar de frequentes quedas do bolívar, economistas temem que divisa da Venezuela já esteja abaixo do valor do ouro do Banco Central

CARACAS, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2015 | 02h01

O impressionante colapso neste mês da moeda da Venezuela no mercado negro - o câmbio chegou a 423 bolívares por dólar, ante 279 bolívares no início de maio - fez com que os venezuelanos se perguntassem por que a moeda ficou abaixo do valor do ouro e da divisa que o banco central possui como reserva.

A Venezuela mantém um rigoroso controle cambial desde 2003 e atualmente conta com três câmbios legalmente aceitos, de 6, 3, 12 e 199 bolívares por dólar usados para as importações prioritárias. No mercado negro, procurado por empresas e indivíduos quando não conseguem obter aprovação do governo para comprar dólares usando os câmbios oficiais, o bolívar enfraqueceu-se 82% nos últimos 12 meses, chegando a 397 bolívares por dólar na terça-feira, segundo o site dolartoday.com.

Apesar de acentuada, a queda de 29,7% observada neste mês não é inédita. O bolívar teve desvalorização de 33,3% em novembro, 19,7% em janeiro de 2014 e 25,7% em outubro de 2013. As perdas mensais superiores a 10% tornaram-se frequentes desde meados de 2012. Desde o início de 2011, a moeda teve valorização em apenas 10 dos 53 meses mais recentes.

A inflação anual do país teria chegado a 69% em dezembro, mês mais recente para o qual o banco central divulgou dados. O Barclays Plc disse no dia 20 que a inflação estaria atualmente "na marca dos três dígitos". As reservas de divisas estrangeiras alcançaram o ponto mais baixo em 12 anos, US$ 17,5 bilhões, em 22 de maio.

Mas alguma coisa mudou. Durante anos, o câmbio do mercado negro acompanhou de perto o chamado câmbio implícito - o número de bolívares em circulação dividido pelas reservas de divisas internacionais. Às vezes, o câmbio do mercado negro ficava abaixo do câmbio implícito, indicando que as pessoas acreditavam que o bolívar valeria mais que o ouro e o fundo que o banco central teria para lastreá-lo.

Tudo isso começou a mudar em 2014, com o câmbio do mercado negro acelerando para muito além do câmbio implícito.

Mesmo com as reservas venezuelanas de divisas internacionais no nível mais baixo dos 12 anos mais recentes, o câmbio do mercado negro está agora três vezes mais alto que o câmbio implícito. / BLOOMBERG NEWS

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