EFE/Miguel Gutiérrez
EFE/Miguel Gutiérrez

Moeda venezuelana perde mais de 50% do valor no mercado paralelo após posse de Maduro

Economistas atribuem desvalorização ao efeito da hiperinflação e às incertezas políticas que cercam o novo mandato do presidente da Venezuela

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2019 | 12h02

CARACAS - O bolívar soberano perdeu mais de 50% do seu valor nos últimos dias em relação ao dólar no mercado paralelo na Venezuela,  em meio ao nervosismo com a posse do segundo mandato do presidente Nicolás Maduro, dizem economistas críticos do governo chavista.

Na terça-feira, um dólar valia 950 bolívares. Na quinta-feira, esse valor subiu para 2 mil bolívares. No dia da posse o dólar subiu 25%, segundo operadores do mercado paralelo. 

"O aumento da tensão política interna e um maior isolamento internacional do governo podem ser fatores", disse o economista Henkel García ao portal Infobae

Para Asdrúbal Oliveros, da consultoria Ecoanalítica a baixa oferta de dólares em uma situação de hiperinflação é o principal motivo. A taxa oficial, controlada pelo governo, éstá situada perto de 795 bolívares. 

As reservas de dólar do país estão em baixa e a produção de dólares caiu quase à metade nos últimos anos. Aliados às sanções que dificultam a chegada de recursos aos cofres chavistas, esses fatores contribuíram para a alta da moeda americana. Outra razão para a alta é a impressão de dinheiro sem lastro para financiar a dívida pública, que agrava a inflação. 

Em agosto do ano passado, após anos de resistência,  Maduro cortou cinco zeros da moeda e desvalorizou o câmbio oficial em 96%, mas isso foi insuficiente para controlar a inflação. Na época, o dólar era cotado a 60 bolívares. 

 

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