Mofaz aceita Ministério da Defesa de Israel

O ex-chefe de Estado Maior do Exército de Israel, Shaul Mofaz, aceitou o cargo de ministro da Defesa, oferecido a ele pelo primeiro-ministro Ariel Sharon após a renúncia coletiva do Partido Trabalhista, que abandonou a coalizão governamental nesta semana. O cargo pertencia a Binyamin Ben-Eliezer. A indicação de Mofaz será apresentada ao Parlamento na segunda-feira, informou o gabinete de Sharon. Também na segunda-feira, Sharon terá de enfrentar no Parlamento a apresentação de uma moção de censura contra seu governo, encaminhada pelo partido esquerdista Meretz. Se aprovada, o primeiro-ministro terá de convocar eleições em 90 dias - antecipando o pleito previsto para ocorrer até outubro de 2003.Com a saída dos trabalhistas do gabinete, Sharon tem agora o apoio formal de apenas 55 dos 120 parlamentares. Porém, é improvável que os grupos de centro-esquerda consigam derrubá-lo.Ben-Eliezer e outros cinco ministros trabalhistas deixaram o governo na quarta-feira, no desfecho de uma disputa entre moderados e conservadores sobre o financiamento de assentamentos judaicos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. A decisão dos trabalhistas deixou a coalizão de Sharon com minoria no Parlamento.Analistas acreditam que ele procurará agora o apoio de partidos religiosos e de extrema direita para continuar no poder. Amanhã, ele se reunirá com dirigentes do União Nacional-Israel Beitenu, que tem sete deputados. Esse agrupamento integrou a coalizão depois do início da administração de Sharon, em fevereiro de 2001, e o deixou por divergências políticas.Ultranacionalistas, eles defendem a expansão das colônias judaicas e a anexação da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, mas o primeiro-ministro garante que seu ingresso no governo não mudará os fundamentos da política atual.Ontem à noite, Sharon negociava com o ex-primeiro-ministro Benjamin ?Bibi? Netanyahu e oferecia a ele o cargo de ministro das Relações Exteriores, que pertencia até esta semana ao pacifista Shimon Peres. Sharon e Netanyahu, dois inimigos políticos no Partido Likud, ainda não chegaram a um acordo. Os dois deverão voltar a negociar amanhã, informou uma fonte.No entanto, a rádio militar de Israel informou que Bibi rejeitou a proposta, no encontro que manteve ontem com Sharon. Após essa reunião, porta-vozes dos dois disseram que Netanyahu daria sua resposta amanhã. Mas a emissora garantiu que ele já recusou a oferta, instou o primeiro-ministro a convocar quanto antes eleições gerais e criticou a atual política econômica do governo. Analistas políticos consideram que a oferta de Sharon era uma manobra política para integrar no governo seu maior rival no partido e, com isso, evitar que continue fazendo fortes críticas à administração da economia e do conflito com os palestinos.Ainda neste sábado, soldados israelenses frustraram um atentado suicida quando pararam dois palestinos com explosivos em uma blitz na Cisjordânia, informou o Exército israelense. Os homens foram parados em um carro no entroncamento de Tappuah, ao sul de Nablus. Eles foram detidos para interrogatório. O cinturão explosivo que transportavam foi detonado, segundo fontes militares.

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