Moldávia culpa Romênia por protestos da oposição

Manifestantes ocuparam Parlamento dois dias após eleição ter dado vitória ao Partido Comunista

BBC Brasil, BBC

08 Abril 2009 | 09h30

O presidente da Moldávia, Vladimir Voronin, acusou a vizinha Romênia de estimular os protestos que levaram à violência e à invasão do Parlamento na capital, Chisinau, na terça-feira.

Voronin, que é do Partido Comunista, vencedor das eleições de domingo, afirmou que o embaixador romeno não é mais bem-vindo na Moldávia e descreveu a violência no país como um golpe de Estado.

"Sabemos que certas forças políticas na Romênia estão por trás desses confrontos. As bandeiras romenas colocadas nos prédios do governo em Chisinau são prova disso", disse Voronin, segundo a agência de notícias russa Interfax.

Milhares de jovens manifestantes foram às ruas de Chisinau na terça-feira, enfrentando a polícia e invadindo o prédio do Parlamento, em protesto contra o resultado das eleições de domingo. Números oficiais dão conta de que Partido Comunista, governista, conseguiu 50% dos votos na ex-república soviética, que tem o romeno como idioma oficial.

Alguns dos manifestantes pediram a unificação da Moldávia com a Romênia durante os confrontos de terça-feira.

O Ministério do Exterior da Rússia afirmou que existe um plano que visa prejudicar a "soberania da Moldávia".

'Inaceitável'

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) Ban Ki-Moon, pediu calma e o responsável pela área de política externa da União Europeia, Javier Solana, afirmou que a violência contra prédios do governo é "inaceitável".

Na manhã desta quarta-feira, as ruas de Chisinau estavam silenciosas, depois do fim dos protestos na noite de terça-feira. A polícia retomou o controle do Parlamento.

Os líderes de oposição afirmaram que as manifestações vão continuar. Vlad Filat, líder do Partido Liberal Democrata, disse que os protestos foram "uma ação espontânea dos jovens".

Filat afirmou que a oposição tentou evitar excessos como os ataques ao Parlamento, e acrescentou que a oposição do país "não tem medo de prisões ou intimidações. As pessoas não querem viver assim, querem viver livres e sem medo".

As notícias sobre as manifestações em Chisinau foram espalhadas por meio de mensagens de texto em telefones celulares, e-mails e redes de relacionamento na internet.

Suspeitas

O prefeito de Chisinau, Dorin Chirtoaca, que é do Partido Liberal, de oposição, afirmou que as eleições de domingo "foram fraudulentas".

A oposição pediu a recontagem dos votos, mas o governo rejeitou o pedido.

Um relatório da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) a respeito da eleição fez uma avaliação positiva da votação.

Mas uma integrante britânica da equipe da OSCE questionou a conclusão. A baronesa Emma Nicholson afirmou que achou "difícil sancionar a declaração" do chefe da OSCE.

"O problema é que era um relatório da OSCE, e na OSCE estão, claro, os russos. E a visão deles é bem diferente, por exemplo, da minha", afirmou Nicholson à BBC.

Nicholson afirmou que ela e outros observadores tiveram "uma sensação muito, muito forte" de que ocorreu alguma manipulação, "mas não conseguimos encontrar nenhuma prova". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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