EFE/NATO
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Momentos-chave da Otan, maior organização de defesa coletiva do mundo

Do combate à ameaça soviética aos novos fronts criados pelas guerras cibernéticas, relembre a atuação da Organização do Tratado do Atlântico Norte

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2019 | 16h07

PARIS - Há 70 anos, durante o início da Guerra Fria, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) tornou-se a principal organização militar comum de defesa, dos 29 países-membros da Europa e da América do Norte.

1949: ameaça soviética

A Otan foi fundada em 4 de abril de 1949, em Washington, por 12 países, 10 europeus, Estados Unidos e Canadá. Seu objetivo era enfrentar a ameaça soviética, com base no princípio da solidariedade mútua entre todos seus membros, definido no artigo 5º do Tratado: "As partes concordam que um ataque armado contra um ou mais deles, na Europa ou na América do Norte, será considerado como um ataque dirigido contra todos eles [...] ".

Ao longo dos anos, novos parceiros aderiram: Grécia, Turquia (1952), Alemanha (1955) e Espanha (1982). Com a queda da União Soviética em 1991, uma nova etapa para a Aliança começou a tomar forma. Em maio de 1997, a Otan e a Rússia assinaram o "Ato Fundador", que encerrou a Guerra Fria.

1994: primeiros combates

A Otan abriu fogo pela primeira vez em 28 de fevereiro de 1994 ao abater quatro aviões sérvios em uma zona de exclusão aérea imposta pela ONU na Bósnia Herzegovina. Em 16 de dezembro de 1995, realizou sua primeira operação terrestre na Bósnia, onde mobilizou 60 mil soldados (operação Ifor).

Em 24 de março de 1999, a Otan lançou uma campanha de bombardeios aéreos para tentar impedir a repressão sérvia contra a população albanesa de Kosovo. Esta campanha, de 78 dias e sob mandato da ONU, implicou a retirada dos sérvios da província, que ficou sob a administração da ONU, com uma força da Otan (Kfor) de 40 mil soldados garantindo a segurança. 

O Parlamento do Kosovo proclamou a independência deste governo sérvio em fevereiro de 2008. Em 1999, a Otan acolheu os primeiros países da antiga Europa comunista: a República Checa, a Hungria e a Polônia.

11 de setembro

Em 2001, após os ataques de 11 de setembro, os Estados Unidos se tornaram o primeiro país a invocar o Artigo 5. A Otan apoiou Washington em sua "guerra contra o terrorismo". Assim, em 2003, a Aliança assumiu a liderança da Força Internacional de Assistência à Segurança no Afeganistão (Isaf), cuja missão de combate foi mantida até 2014

Em março de 2004, sete países da Europa Oriental se uniram à Otan: Eslováquia, Eslovênia, Bulgária e Romênia. A chegada de mais três ex-repúblicas soviéticas (Lituânia, Letônia e Estônia) irritou especialmente Moscou. Em 2010, juntaram-se a Albânia e a Croácia e, em 2017, Montenegro tornou-se o 29º membro. 

Em 31 de março de 2011, a Otan assumiu o comando da intervenção ocidental na Líbia, estabelecida sob mandato da ONU em nome da proteção de civis. A operação do "Unified Protector", que durou sete meses, levou à derrubada do coronel Muammar Kadafi.

Pirataria e ciberataques

A Otan também ajudou a prevenir a pirataria ao largo da costa do Chifre da África e, desde 2016, usa barcos de vigilância para combater o tráfico de seres humanos no Mar Mediterrâneo. 

A Aliança também ajuda seus membros a fortalecer sua defesa cibernética e seus especialistas ajudam os aliados em caso de ataque.

Tensões com a Rússia

Em 2014, após a anexação da península da Crimeia pela Rússia e suas ações contra a Ucrânia, a Otan suspendeu sua cooperação com Moscou. 

Em 2016, a Aliança implantou quatro grupos táticos multinacionais na Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia. Este foi o reforço de sua mais importante defesa coletiva desde o final da Guerra Fria. 

Em novembro de 2018, a Otan também realizou seu maior exercício militar desde aquela data, na Noruega, a poucas centenas de quilômetros da fronteira com a Rússia. / AFP

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