EFE/Casa Real Tailandia
EFE/Casa Real Tailandia

Monarca com mais longo reinado do mundo, rei da Tailândia morre aos 88 anos

Logo após a notícia da morte, o herdeiro pediu um tempo de luto antes de suceder seu pai, informou o primeiro-ministro tailandês, general Prayut Chan-ocha

O Estado de S. Paulo

13 de outubro de 2016 | 15h57

BANGCOC - O rei Bhumibol Adulyadej da Tailândia morreu nesta quinta-feira, 13, em Bangcoc aos 88 anos como o decano dos monarcas do mundo, após reinar durante sete décadas e ganhar o respeito e veneração da grande maioria dos tailandeses. O monarca estava internado há mais de um ano. 

"Sua majestade morreu no Hospital Siriraj pacificamente", informou uma nota do palácio tailandês, sem revelar as causas da morte. Seu filho, o príncipe Maha Vajiralongkorn, de 63 anos, deve se tornar o novo rei da Tailândia. 

Logo após a notícia da morte, o herdeiro pediu um tempo de luto antes de suceder seu pai, informou o primeiro-ministro tailandês, general Prayut Chan-ocha. Prayut explicou em entrevista coletiva que se reuniu com o príncipe e lhe comunicou seu desejo de compartilhar o luto com todos os tailandeses antes de ser coroado. 

O presidente dos EUA, Barack Obama, expressou nesta quinta-feira seus pêsames pela morte do rei do monarca, de quem disse ser "amigo próximo" e um "estimado parceiro", ao destacar, além disso, sua defesa "incansável" pelo desenvolvimento de seu país." (O rei) demonstrou uma dedicação incansável à melhora do nível de vida do povo tailandês"", ressaltou Obama em comunicado divulgado pela Casa Branca. 

"O povo americano e eu estamos com o povo da Tailândia enquanto choram a morte de vossa majestade", afirmou Obama.

O presidente lembrou a "honra" que foi se reunir com o monarca durante sua visita à Tailândia em 2012, ao destacar o "profundo afeto e compaixão" por seu povo.

História. O rei nasceu no dia 5 de dezembro de 1927 nos Estados Unidos, foi o segundo filho homem do príncipe de Songkla, Mahidol Adulyadej, e a princesa Srinagarindra, Mom Sawal, de sangue plebeu.

A família retornou à Tailândia em 1929 e o pai, que tinha cursado estudos de medicina, com uma saúde precária, morreu no ano seguinte.

Após um breve período no colégio católico Mater Dei, e completados 6 anos, viajou para a Suíça, onde, salvo um breve retorno em 1938, morou até o fim da 2ª Guerra.

Nesse período, Ananda Mahidol, irmão mais velho de Bhumibol, foi declarado herdeiro ao trono em 1935, depois da abdicação de seu tio Rama VII.

O reinado de Ananda foi breve: voltou a Tailândia em 1945 e morreu no ano seguinte em um fato nunca esclarecido após aparecer no palácio ferido de morte por arma de fogo.

Bhumibol foi eleito sucessor e, após deixar como regente a seu tio Rangsit, príncipe de Chainat, retornou à Suíça, onde mudou seus estudos em Ciências pelos de Ciências Política e Direito.

Nessa época, estava em Paris com sua futura mulher, Sirikit Kitiyara Rajawongse, uma prima distante, filha do então embaixador da Tailândia na França, "uma jovenzinha de 15 anos, doce e sem ares de grandeza" que estudava música e francês, segundo a biografia oficial.

A relação se estreitou quando Sirikit se tornou assídua visitante do soberano durante sua convalescência em um hospital de Lausanneem razão de um acidente de trânsito no qual ficou cego de um olho. 

Ambos se casaram no dia 28 de abril de 1950 na Tailândia e sete dias depois Bhumibol foi coroado.

O jovem rei começou a dedicar um interesse particular pelos projetos de desenvolvimento rural e bem-estar social durante as décadas de 50 e 60, quando se sucederam os governos militares.

Às sextas-feiras, o monarca relaxava com sua Banda Aw Saw e músicos convidados no que transformou em uma noite musical que chegou a ser transmitida pela emissora de rádio da Coroa.

A partir de 1963, após a morte do general Sarit Thanarat, começou a intercalar comentários políticos em seus pronunciamentos públicos.

O primeiro teste de autoridade e habilidade política aconteceu em 1973, quando reagiu ao massacre de estudantes que se manifestavam contra o governo militar.

A intervenção real acabou com a violência nas ruas e o então primeiro-ministro, o general Thanon Kittikachorn, se exilou e abriu passagem a um período democrático que não durou muito.

Um golpe militar amparado pelo rei acabou com o experimento democrático em 1976, em um momento no qual o comunismo se assentava no Vietnã, Camboja e Laos. Os golpes militares se sucedem em 1977, 1980, 1981, 1985 e 1991.

O papel que desempenhou o soberano em 1992 ficou na história oficial tailandesa como exemplo de seu reinado, ao mediar entre o general golpista Suchinda Krapayoon e o movimento democrático e acabar com a sangrenta repressão, abrindo caminho para a realização de eleições.

Outro momento de destaque aconteceu em 1997, durante a crise financeira asiática, quando respaldou a embrionária democracia e se pronunciou em público contra outro golpe militar.

O reinado de Bhumibol comemorou seu 60º aniversário em 2006, ano do golpe militar que derrubou o magnata Thaksin Sinawatra e abriu uma crise que o país ainda arrasta.

O monarca viveu rodeado de uma equipe de médicos desde que em 1995 foi operado em duas ocasiões por problemas cardiovasculares.

O soberano ficou internado de 2009 a 2013 e deixa quatro filhos com a rainha Sirikit: as princesas Ubol Ratana, Sirindhorn e Chulabhorn, e o príncipe Vajiralongkorn, herdeiro do trono.

Falava francês e inglês com fluência, e seus maiores hobbies eram a engenharia civil e a música, em particular o jazz, estilo no qual compôs várias melodias ajudado por seus dotes com o clarinete e o saxofone.

Foi pintor amador e entusiasta da fotografia, autor de vários livros e tradutor de outros tantos, entre esses a biografia do presidente iugoslavo Tito, escrito por Phillis Auty, e A Man Called Intrepid, do romancista Willian Stevenson.

Segundo a tradição local, Rama IX, apelidado de "O Grande", encarnou os dez princípios morais dos reis do ideal budista: caridade com os pobres, moralidade, sacrifício de seus interesses pessoais, honestidade, cortesia, domínio de si mesmo, tranquilidade de temperamento, não violência, paciência e imparcialidade, segundo a biografia oficial O rei Bhumibol. Força da Nação. / REUTERS e EFE

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