Monarquia no Bahrein anuncia 'diálogo nacional' para lidar com crise política

Príncipe Khalifa foi autorizado a conversar com todos os partidos do país para tentar pôr fim aos protestos que já deixaram ao menos 50 feridos.

BBC Brasil, BBC

19 de fevereiro de 2011 | 00h12

Os manifestantes no Bahrein pedem mudanças no regime

O rei Hamad do Bahrein determinou nesta sexta-feira que o príncipe Salman Bin Hamad Al Khalifa iniciassem um diálogo nacional com todos os partidos, para tentar resolver a crescente crise política que atinge o país.

Segundo um comunicado oficial, o príncipe agora tem "todos os poderes para lidar com as aspirações e esperanças de todos os cidadãos do país".

No entanto, a correspondente da BBC no país, Caroline Hawley, afirmou que o anúncio da dinastia sunita pode ter sido anunciado tarde demais para acalmar os protestos.

Os protestos tomaram a capital Manama no início da noite. Segundo testemunhas, tiros foram ouvidos durante choques entre as forças de segurança e os manifestantes anti-governo.

Violência

Mais cedo, as tropas abriram fogo contra a população, ferindo pelo menos 50 manifestantes na Praça Pérola.

Os ataques, que provocaram cenas de pânico e caos, ocorreram no mesmo dia em que os manifestantes participavam dos funerais de quatro vítimas de confrontos com a polícia nos últimos dias.

O funeral de duas vítimas - dois homens, de 20 e 50 anos - ocorreu em um bairro xiita de Manama. Os caixões foram envoltos em bandeiras do país e levados em cortejo pelas ruas do bairro.

A multidão presente gritava pedindo "justiça, liberdade e monarquia constitucional". Alguns disseram que estavam dispostos a sacrificar suas vidas para derrubar o governo.

"Haverá violência, haverá confrontos", disse à BBC um manifestante que se identificou como Sayed. "Bahrein está passando por um túnel escuro."

Os manifestantes tentaram chegar a um hospital onde outros ativistas feridos estão internados. Mas, no caminho, passaram perto da Praça da Pérola - que tinha sido isolada pelo Exército, depois que os soldados expulsaram na quinta-feira manifestantes que lá estavam acampados - e aí foram atingidos.

Uma testemunha disse ao canal de televisão Al-Jazeera que as autoridades não deram aviso antes de atirar.

"Eles simplesmente começaram a atirar contra nós. Agora há mais de 20 feridos no hospital. Um rapaz morreu, foi baleado na cabeça", disse a testemunha.

Tensões

Desde sua independência da Grã-Bretanha, em 1971, o Bahrein tem registrado tensões entre a elite sunita e a maioria xiita, que se diz marginalizada e reprimida.

Agora, essas tensões ganharam força em meio à atual onda de levantes nos países árabes e muçulmanos, que já levaram à renúncia dos presidentes da Tunísia e do Egito.

O uso da força militar nos protestos recentes colocou a família real de Bahrein em rota direta de confronto com os xiitas, que compõem a maioria dos manifestantes, relata o correspondente da BBC no Oriente Médio Jon Leyne.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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