Hussein Malla/AP
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Monarquias do Golfo declaram Hezbollah um movimento ‘terrorista’

Estados membros do Conselho de Cooperação do Golfo acusam o movimento libanês de ser a cabeça de ponte para o Irã xiita

O Estado de S. Paulo

02 de março de 2016 | 15h42

DUBAI - As seis monarquias do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) declararam terrorista o movimento xiita libanês Hezbollah, anunciou nesta quarta-feira, 2, o secretário-geral da organização regional.

Os Estados membros do CCG - Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Omã e Kuwait - tomaram a decisão em razão do "prosseguimento das acusações hostis das milícias (do Hezbollah), que recrutam jovens (do Golfo) para cometer atos terroristas", acrescentou Abdelatif Zayani.

As monarquias costumam acusar o Hezbollah de ser a cabeça de ponte (posição provisória ocupada por uma força militar em território inimigo) para o Irã xiita e de ingerência nos assuntos dos países árabes.

A tensão se cristalizou em torno da guerra na Síria, onde Irã e Hezbollah apoiam o regime do presidente Bashar Assad, combatido por uma rebelião apoiada pelas monarquias do Golfo.

"Os abusos da milícia do Hezbollah nos países do CCG e seus atos terroristas e de incitação na Síria, Iêmen e Iraque (...) constituem uma ameaça para a segurança nacional árabe", disse Zayani em seu comunicado.

Como consequência, acrescentou, "os países do CCG decidiram considerar a milícia (do Hezbollah) como uma organização terrorista".

"Serão tomadas medidas apropriadas para aplicar esta decisão, em conformidade com as regras da luta antiterrorista em vigor nos Estados do CCG e com as leis internacionais", concluiu.

A decisão do Conselho foi tomada menos de duas semanas após a Arábia Saudita anunciar o corte de US$ 4 bilhões em ajuda para as forças de segurança libanesas. O reino e outros Estados do Golfo recomendaram que seus cidadãos deixem o Líbano, em um revés para a indústria do turismo no país.

O Hezbollah possui tanto um braço político quanto um militar. Os EUA já consideram o movimento um grupo terrorista. Já a União Europeia lista apenas o braço militar do grupo como uma organização terrorista. /AFP e ASSOCIATED PRESS

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