Monge ferido está na UTI; cerco a igreja em Belém continua

Um monge armênio gravemente ferido na sitiada Basílica da Natividade aparentemente foi baleado por um soldado israelense que confundiu o religioso com um militante palestino, informou um oficial do Exército nesta quinta-feira.Uma porta-voz do hospital Hadassah, em Jerusalém, disse que o clérigo ortodoxo armênio Armen Sinanian, de 22 anos, está em situação estável na unidade de terapia intensiva depois de ter sido submetido a uma intervenção cirúrgica.As tropas israelenses cercam a Basílica da Natividade desde 2 de abril. O templo é um dos mais sagrados locais do cristianismo erguido sobre o local onde, segundo a tradição, nasceu Jesus Cristo. Além dos homens armados, dezenas de religiosos estão no interior da basílica.Nesta quinta-feira, era possível observar soldados a bordo de veículos blindados dando voltas em torno da igreja de tempos em tempos enquanto tanques controlavam todos os acessos ao local sagrado. Era possível também ver uma coluna de fumaça nos arredores da igreja.Segundo testemunhas, a fumaça vinha de carros que estavam estacionados em ruas próximas e que foram destruídos pelo Exército israelense. Um balão branco, com câmeras a bordo, continuava o trabalho de manter o local sob observação.Soldados levantaram uma tenda na entrada do monastério franciscano Casa Nova, que fica ao lado da igreja, mas que o Exército de Israel não "considera" parte do complexo religioso ao contrário do que afirmam os monges franciscanos.Fontes da Ordem dos Franciscanos em Roma disseram que novos disparos ocorreram hoje em torno do complexo. Israel garante que cerca de 40 freiras e frades são mantidos cativos pelos militantes islâmicos armados. A acusação é negada por líderes religiosos.O Exército judeu garante que não acabará com o cerco até que os homens armados se rendam. O padre franciscano David Jaeger, porta-voz da ordem que protege os locais sagrados, disse que os israelenses cortaram o fornecimento de água e energia elétrica para a parte da igreja controlada por sua ordem. "A situação está muito dura", disse. "Não conseguimos persuadir o governo israelense a restabelecer a água." "Não há razão para que os franciscanos sejam feitos de vítimas de um conflito do qual eles não fazem parte", declarou Jaeger. "Não estamos nem de um lado nem do outro. Somos monges, freiras e frades."Um franciscano dentro da basílica, Nicolás Márquez, disse ao jornal El Universal, da Cidade do México, que os palestinos dentro da igreja "nos respeitam e não recebemos nenhum tipo de tratamento ruim". A entrevista foi publicada hoje.No entanto, Márquez, de 36 anos, natural da cidade mexicana de Torreón, comentou: "Estamos humana, física e psicologicamente esgotados devido à pressão sob a qual estamos vivendo." Ele disse que os clérigos continuaram no interior da basílica quando os palestinos entraram porque "nossa missão é cuidar do santuário".Os franciscanos, que continuam tentando mediar o impasse informaram hoje, décimo dia do cerco, que não houve progressos nos contatos com ambas as partes. O padre Daniel Jaeger disse ter consultado Israel e os palestinos se aceitariam a proposta de enviar os milicianos para Gaza, uma zona ainda controlada pelos palestinos, sob garantia internacional.Um funcionário israelense disse que o líder palestino Yasser Arafat rejeitou o plano, e as negociações estão suspensas. Mas o legislador palestino Salah Taameri, líder da Autoridade Palestina na região de Belém, disse que Arafat não descartou a idéia e formou uma comissão, da qual é um dos membros, para discutir com os israelenses a respeito. Ele disse que um dos fatores que estão bloqueando as negociações é que Israel ainda não garantiu imunidade para os milicianos.

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