Monges ateiam fogo a carros e lojas no Tibete

Governo intensifica censura e proíbe que emissoras transmitam imagens dos protestos no país

Agências internacionais,

14 de março de 2008 | 07h46

Lojas  e carros foram incendiados em meio à violência em Lhasa, capital do Tibete, nesta sexta-feira, 14, disseram testemunhas, num momento em que a região vive uma nova onda de protestos nas ruas. Várias pessoas ficaram feridas durante os protestos. Uma família tibetana residente na cidade de Lhasa disse que carros de polícia foram incendiados durante um protesto de monges contra o governo chinês no território. Uma mulher, que testemunhou o fato, disse que os carros foram incendiados, no centro da cidade, por monges que impediram uma manifestação nas proximidades de um pequeno templo.   Centenas de pessoas voltaram às ruas de Lhasa num desafio às autoridades chinesas, apesar da forte presença policial e do fechamento de mosteiros, disseram fontes com conhecimento da região. "A polícia está em todos lugares", disse o dono de um café de Lhasa por telefone. "Há grandes problemas."   A embaixada americana enviou um e-mail a seus cidadãos pedindo que saiam imediatamente de Lhasa, disse à agência Efe uma residente dos Estados Unidos em Pequim. A embaixada emitiu a advertência depois que turistas americanos em Lhasa informaram sobre tiroteios nas ruas da cidade. Além disso, a missão diplomática pediu a seus cidadãos em Pequim que aumentem as precauções neste fim de semana.   Enquanto isso, o governo chinês intensificou a censura que aplica à imprensa estrangeira, que afeta especialmente às televisões, que não podem transmitir imagens sobre a situação no Tibete. O domínio chinês no remoto e budista Tibete se tornou motivo de críticas antes dos Jogos Olímpicos de Pequim, com manifestações em todo o mundo para lembrar o 49o aniversário da frustrada revolta tibetana contra o governo comunista chinês. Uma reportagem da agência de notícias chinesa Xinhua citou testemunhas que disseram que várias lojas foram queimadas e empresas locais foram fechadas. Na sexta-feira, entre 300 e 400 monges e moradores protestaram em Lhasa, disse uma testemunha de acordo com o relato de uma fonte, encerrando uma semana de protestos diários na região. "Alguns estão bravos e outros assustados. As forças de segurança estão vasculhando as casas para ver se há monges escondidos", disse a fonte, que mantém contato com moradores do Tibet. Centenas de monges do mosteiro de Labrang na província de Gansu, sudoeste do país, também promoveram uma marcha até a cidade de Xiahe, segundo a Free Tibet Campaign, citando fontes de Dharamsala, sede do governo tibetano no exílio. Mais de 10 monges foram presos e tanques patrulham a praça próxima ao palácio Potala, uma das maravilhas arquitetônicas do mundo que já foi a residência de inverno do líder espiritual tibetano Dalai Lama.

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