Monges de Mianmá estão presos e serão isolados, diz BBC

Fonte de milícia pró-governo afirma que religiosos serão mandados para presídio isolado no norte do país

Agências internacionais,

01 de outubro de 2007 | 17h34

Milhares de monges presos durante a repressão aos protestos do últimos dias em Mianmá serão mandados para prisões isoladas no extremo norte do país, anunciaram fontes citadas pela rede britânica BBC nesta segunda-feira, 1º.  Veja também:Japão estuda sanções econômicasQuatro jornalistas são presos e outros feridosEntenda a crise e o protesto dos monges Dissidentes cibernéticos driblam censura  População apóia protesto dos monges  De acordo com a emissora, cerca de 4 mil monges foram presos na semana passada durante manifestações contra a junta militar que governa Miamná (antiga Birmânia) desde 1962. A maioria encontra-se atualmente na cidade de Rangum, a maior do país, mas deverão ser levados para centros de detenção afastados, disseram membros de milícias pró-governo, que falaram em condição de anonimato.  Ainda segundo as fontes, os religiosos foram despidos e algemados, e alguns fazem greve de fome. Os monges são amplamente venerados em Mianmá, e abusos cometidos contra eles podem gerar fortes reações na sociedade birmanesa. A onda de protestos pró-democracia que chacoalhou este isolado país asiático teve como estopim a elevação do preço nos combustíveis, em 19 de agosto. Os reflexos da medida foram sentidos nos itens da cesta básica pela população, agravando o sentimento de revolta entre as pessoas após mais de quatro décadas de um dos regimes mais fechados e repressores do planeta.  Esses são os maiores protestos contra a junta militar de Mianmá em quase 20 anos. Em 1988, cerca de 3 mil birmaneses foram mortos em uma manifestação contra o regime liderada por estudantes. Segundo as autoridades birmanesas, dez pessoas morreram na repressão aos protestos na semana passada, mas para diplomatas estrangeiros em Ramgum e grupos dissidentes, esse número pode chegar a 200.  Imagem chocante Uma rede de TV da oposição birmanesa divulgou no domingo imagens de um corpo que seria de um monge budista boiando na foz do Rio Rangum.  Na semana passada, vários mosteiro foram invadidos pelas forças de segurança, e há informes de que monges teriam sido espancados e mortos.  Com muitos dos monges atrás das grades, a onda de protesto contra o regime perdeu força nos últimos dias. Nesta segunda-feira o centro de Rangum parecia calmo, disse à BBC um repórter birmanês que não quis se identificar.  A atmosfera, no entanto, era tensa, uma vez que a população sabe que os monges foram presos e que eles poderiam ser os próximos. Enviado da ONU Em Mianmá desde sábado, o enviado especial da ONU para analisar a situação no país, Ibrabim Gambari, teve sua intenção de se encontrar com o chefe da junta militar que governa o país frustrada mais uma vez nesta segunda-feira.  Gambari tenta se encontrar com o general Than Shwe desde que chegou, mas nesta segunda-feira foi enviado para uma isolada cidade ao norte de Naypyitaw, a capital do país, para assistir a uma conferência acadêmica.  No entanto, segundo diplomatas em Naypyiataw, Gambari terá a tão esperada reunião na terça-feira.  Em Nova York, um grupo de manifestantes protestou contra a situação no país asiático em frente à missão de Mianmá na ONU.

Tudo o que sabemos sobre:
Mianmámongesjunta militar

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.