Monges de Mianmar retomam protestos e dizem não temer tortura

Monges budistas de Mianmar realizaram naquarta-feira sua primeira passeata de protesto desde que osmilitares reprimiram as manifestações pró-democracia, há ummês, e no momento em que o enviado da Organização das NaçõesUnidas (ONU) ao país, Ibrahim Gambari, se prepara para uma novavisita à antiga Birmânia. Um diplomata asiático em Yangun disse que Gambari, que fezsua primeira visita logo após a onda de repressão militar, vaichegar no sábado, novamente para tentar convencer a juntamilitar a dialogar com a líder oposicionista Aung San Suu Kyi,que está sob prisão domiciliar. A nova passeata dos monges ocorreu na cidade de Pakokku,600 quilômetros a noroeste de Yangun, indicando que a repressãoconseguiu apenas coibir a rebelião, mas sem erradicá-la. A cidade está sob tensão desde que soldados dispararam porsobre as cabeças dos monges, no final de setembro,transformando pequenos protestos pontuais contra o aumento doscombustíveis na maior rebelião popular contra o regime militarem duas décadas. Uma testemunha disse à Reuters que cerca de 200 monges comvestes marrons entoavam orações ao caminharem, alinhados emtrios, pelo centro da cidade. A Voz Democrática da Birmânia, rádio dissidente quefunciona na Noruega, disse que os monges mantêm suas exigênciasde redução do preço dos combustíveis, reconciliação nacional elibertação de todos os presos políticos, inclusive Suu Kyi. "Não temos medo de sermos presos ou torturados", disse ummonge. Não houve relatos de tumultos. Um morador, que pediu anonimato por temer represálias,afirmou que os monges escolheram deliberadamente um trajeto queevitaria manifestações convocadas pelo regime. A imprensa oficial diz que 10 pessoas morreram na repressãoàs manifestações de setembro, embora governos ocidentaissuspeitem que o saldo seja muito maior. Entre as vítimas fataisestá um cinegrafista japonês que cobria as passeatas. Gambari já esteve em seis países asiáticos parapressioná-los -- especialmente Índia e China -- a adotar umapostura mais rígida contra o regime birmanês, um dos maisisolados do mundo. Na visita que fez no começo de outubro, Gambari,ex-chanceler nigeriano, teve uma audiência com o chefe daJunta, general Than Shwe, e duas com Suu Kyi. "Achamos que ele vai estar mais ocupado nesta visita do quena anterior", disse o diplomata asiático. Após a primeira visita de Gambari, a junta nomeou o generalda reserva Aung Kyi para servir como intermediário entre SuuLyi e Than Shwe, que sabidamente odeia a Nobel da Paz, de 62anos, que passou sob prisão 12 dos últimos 18 anos. Aung Kyi se reuniu por 75 minutos na semana passada com SuuKyi, mas não se sabe o teor da conversa.

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