Monges fazem greve de fome; ONU negocia paz em Mianmá

Enviado das Nações Unidas tenta acabar com a repressão dos militares ao protesto pacífico dos sacerdotes

Agências internacionais,

29 de setembro de 2007 | 13h44

Cerca de 30 monges budistas, entre os mais de mil presos, entraram em greve de fome em protesto contra a violência empregada pela junta militar de Mianmá contra os manifestantes que pedem democracia. Neste sábado, 29, o enviado especial da ONU, Ibrahim Gambari, chegou a Rangum, a maior cidade da antiga Birmânia para negociar o fim da violência contra as manifestações pacíficas violentamente reprimidas nesta semana.  Veja também:Enviado da ONU chega a Mianmá para diálogo Satélites mostram abusos cometidos pelo ExércitoNúmero de mortos pode chegar a 200Entenda a crise e o protesto dos monges Dissidentes cibernéticos driblam censura  População apóia protesto dos monges Os religiosos, levados para a prisão de Bamaw, foram detidos na primeira onda de detenções efetuadas pelo governo, que, no dia 25 impôs toque de recolher e a proibiu reuniões públicas com mais de cinco pessoas. Segundo a rádio birmanesa, os monges, de um grupo de 108 detidos entre a noite de terça e a madrugada de quarta-feira, começaram o protesto neste sábado, incentivados pelos salmos budistas de seus companheiros.Na quinta-feira, as forças de segurança prenderam mais de 800 monges numa operação nos mosteiros de Yangun, quando um religioso morreu e sete ficaram feridos. Desde quarta-feira, pelo menos 16 pessoas foram mortas, entre elas dois estrangeiros, e cerca de 200 ficaram feridas na cidade, a maior do país, por conta dos disparos dos soldados e das agressões dos militares.As mobilizações pela democracia, que começaram em 19 de agosto como um protesto contra a alta dos preços dos combustíveis, são as mais graves desde a instalação, em 1988, do atual regime militar.Negociador da ONUNeste sábado chegou ao país o enviado especial das Nações Unidas, Ibrahim Gambari, para pedir aos militares que governam o país uma solução que encerre de modo pacífico os confrontos com os manifestantes. A Casa Branca pediu nesta sexta-feira que Gambari possa se encontrar com qualquer um que deseje: os líderes militares, os líderes religiosos e a líder dissidente Aung San Suu Kyi, mas ainda não se sabe se isso será possível.Segundo o correspondente da BBC em Bangcoc, Chris Hogg, que monitora os acontecimentos em Mianmá, as conexões de internet foram restauradas no país neste sábado.Os militares tentaram impedir a divulgação de imagens e informações sobre os protestos por meio da internet e, na sexta-feira, dois dos principais provedores de acesso do país pararam de funcionar.O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, disse nesta sexta-feira que acredita que o número real de mortos nas manifestações dos últimos dias contra o governo em Mianmá possa ser "muito maior" do que admitem as autoridades locais.Na quinta-feira, o governo militar anunciou que nove pessoas haviam morrido. No entanto, um grupo dissidente no exílio, o US Campaign for Burma, disse que 200 manifestantes morreram e muitos outros foram presos e agredidos.

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