Monges ignoram ordens e retomam protestos em Mianmá

Eles realizam passeatas desde a semana passada contra a Junta Militar do país

Efe,

24 de setembro de 2007 | 04h24

Cerca de 10 mil monges budistas saíram em passeata nesta segunda-feira, 24, na cidade de Mandalay, no norte de Mianmá, apesar da hierarquia budista, submetida ao governo ordenar que eles retornassem a seus mosteiros e abandonassem as manifestações pacíficas de protesto contra a Junta Militar.   Os monges de Mandalay, cerca de 600 quilômetros ao norte de Rangum e segunda maior cidade da Birmânia, receberam o apoio de religiosos de outros templos, das localidades vizinhas de Masoeyein e Mya Taung, segundo várias testemunhas. Eles entoaram os salmos do Metta Sutta sobre a bondade, levando os alguidares para coleta de oferendas de cabeça para baixo.   Em Rangum, cerca de 3 mil monges também promoveram uma nova manifestação de protesto contra a Junta Militar de Mianmá.   Os religiosos se concentraram no distrito de Tamwe, nos arredores de Rangum, com a intenção de seguir em direção ao grande pagode de Shwedagon, na parte antiga da cidade, disseram testemunhas à rádio Mizzina.   Esta manhã, vários caminhões carregados de soldados percorreram diversas ruas do centro de Rangum. Muitas lojas da antiga capital birmanesa não abriram. Os comerciantes temem um confronto entre as forças do governo e os manifestantes.   Retornem aos mosteiros   A hierarquia budista birmanesa, submetida ao controle governamental, mandou os monges retornarem aos seus mosteiros e abandonarem as manifestações de protesto contra a Junta Militar. A ordem foi emitida pelo comitê do Sangha Nayaka ("conselho de abades").   A maioria dos monges que participa das manifestações em Rangum há uma semana saiu de mosteiros de outras localidades. Nos últimos dias, eles se hospedaram nas residências religiosas da antiga capital.   Cerca de 20 mil pessoas, entre monges e leigos, se manifestaram no domingo passado em Rangum. Foi um ato de apoio à líder de oposição Aung San Suu Kyi, da Liga Nacional pela Democracia (LND), o único partido político de oposição que resiste à pressão do regime militar.   Os monges tiveram porém que desistir de passar diante da casa de Suu Kyi, que cumpre prisão domiciliar. Eles foram contidos pelas barricadas montadas pelos policiais.   As manifestações dos monges começaram na semana passada, exigindo do governo um pedido de desculpas pela agressão de policiais a vários bonzos este mês. Cerca de 10 mil percorreram no sábado as ruas de Rangum.

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