Monges interferem em visita da imprensa ao oeste da China

Religiosos pedem pela volta do dalai-lama do exílio; governo afirma que 953 foram detidos por protestos

REUTERS

09 de abril de 2008 | 10h42

Um grupo de 15 monges budistas tibetanos interrompeu nesta quarta-feira, 9, uma visita de jornalistas ao oeste da China, patrocinada pelo governo, para exigir o fim do exílio do dalai-lama e se queixar de supostas violações aos seus direitos humanos.  Veja também: China confirma passagem da tocha olímpica na região Richard Gere lidera protestos em São Francisco Entenda o conflito entre Tibete e ChinaNo segundo incidente desse tipo em dois meses, os monges saíram em disparada do monastério Labrang, na localidade de Xiahe (Província de Gansu) e correram pela praça até alcançar os cerca de 20 analistas chineses e estrangeiros. "O dalai-lama [líder espiritual budista, exilado na Índia] tem de voltar. Não estamos pedindo a independência tibetana, só estamos pedindo direitos humanos, não temos direitos humanos agora", disse um dos monges, em chinês, aos jornalistas. Vários monges cobriam o rosto com suas túnicas. Eles disseram que outros religiosos continuam detidos pelas autoridades e que há agentes armados à paisana espalhados por toda Xiahe.  O governador do Tibete, Quangba Puncog, disse nesta quarta que 953 suspeitos de envolvimento nos distúrbios de março na região já foram detidos. Na mesma entrevista coletiva em Pequim, promotores anunciaram a emissão de mandados de prisão para 403 desses detidos, o que em geral leva à abertura de processos judiciais. A China atribui os protestos no Tibete e arredores ao líder espiritual exilado dalai-lama, que nega envolvimento. No mês passado, protestos contra o domínio chinês, liderados por monges budistas, ganharam contornos violentos e se espalharam para províncias vizinhas ao Tibete.  O dalai-lama vive exilado na Índia desde a frustrada rebelião popular de 1959 contra a presença do regime comunista chinês no Tibete.

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