Monges protestam contra ditadura em Mianmar

Budistas são presos em manifestação pacífica contra regime militar

Agências internacionais

18 de setembro de 2007 | 20h04

Em protesto à ditadura em Mianmar, mais de 400 de monges marcharam até o santuário budista Shwemawdaw, em Yangon, nesta terça-feira, 18. O templo seria usado para celebrar uma cerimônia que vetaria a realização do ritual de encomenda de almas das pessoas ligadas ao governo, mas o local tinha sido fechado pelas autoridades. Milhares de pessoas acompanharam a caminhada oferecendo água aos protestantes.   Ao mesmo tempo, outros mil monges marcharam de Bago até ao templo. Na rua, eles se sentaram e rezaram antes de retornarem aos monastérios. Ninguém foi preso. Já na cidade Sittwe, a polícia lançou gás para dispersar o protesto. De acordo com informações da Reuters, três ou quatro pessoas foram presas.   Este é mais capítulo de uma série de ações antigovernamentais iniciadas em 19 de agosto, data em que o governo elevou o preço do combustível em mais de 500%. Desde então, mais de 100 pessoas foram presas e punidas pelos protestos.   Uma dessas ações ocorreu duas semanas atrás quando centenas de monges foram punidos fisicamente durante uma marcha em Pakokku, um centro de treinamento budista. Os monges deram prazo até segunda-feira passada para as autoridades se retratarem, mas não houve pedidos de desculpa. Porém, como os monges são muito respeitados, o governo receia que os protestos ganhem adesões.   História   Desde a época em que Mianmar era colônia britânica, os monges têm estado à frente de protestos políticos. A marcha de terça-feira também marcou o 19º aniversário da rebelião que tentou democratizar o país, que desde 1962, está sob regime ditatorial. Índia, Filipinas e Nova Zelândia também comemoraram a data.   Em 1990, o governo militar convocou eleições, mas se recusou a honrar com os resultados quando o líder da Liga Nacional pela Democracia, Ang San Suu Kyi, venceu as eleições. Ele está preso há mais de 11 anos.

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