Monges voltam a desafiar regime militar de Mianmar nas ruas

Nos próximos dias, enviado especial das Nações Unidas, Ibrahim Gambari, deve visitar o país

Efe,

31 de outubro de 2007 | 06h26

Cerca de 100 monges budistas desafiaram nesta quarta-feira, 31, mais uma vez a Junta Militar de Mianmar, em uma passeata pacífica pelas ruas da cidade de Pakokku, no noroeste do país, segundo testemunhas citadas pela Rádio Mizzima.  Veja também: ONG acusa Exército de Mianmar de recrutar crianças A manifestação aconteceu mais de um mês depois de as forças de segurança reprimirem a tiros os protestos organizados pelos monges. O país espera para os próximos dias uma nova visita oficial do enviado especial das Nações Unidas, Ibrahim Gambari. Os religiosos começaram a passeata no pagode de Shwegu, e desfilaram durante cerca de uma hora, sem incidentes. Pakokku, cerca de 550 quilômetros a noroeste de Yangun, foi o local em que os monges tomaram a frente das manifestações antigovernamentais, depois de as forças de segurança baterem em vários religiosos que participavam de uma manifestação pacífica, no dia 5 de setembro. Sob a direção dos monges, os protestos ganharam força e chegaram a reunir mais de 300 mil pessoas em todo o país. Em 25 de setembro, a junta militar proibiu as reuniões públicas de mais de cinco pessoas. No dia seguinte, iniciou uma brutal repressão que deixou um saldo pelo menos dez mortos, entre eles um fotógrafo japonês, e quase 3 mil detidos, segundo dados oficiais. Fontes da dissidência birmanesa calculam um total de 200 mortos e mais de 6 mil detidos. As autoridades, depois de alguns dias, sufocaram os protestos e controlaram os mosteiros. Desde então, os monges não saíram às ruas, apesar de a organização Geração de Estudantes de 1988 prometer uma nova mobilização. No domingo passado, exilados birmaneses fundaram em Los Angeles (Estados Unidos) a Organização Internacional de Monges Budistas para manter viva a luta pela democracia em seu país. O enviado especial da ONU para Mianmar, Ibrahim Gambari, que esteve em Mianmar de 29 de setembro a 2 de outubro, deve retornar ao país no início de novembro. A sua missão é levar a Junta Militar a negociar com a oposição democrática. Mianmar é governada pelo regime militar há 45 anos e não realiza eleições gerais desde 1990, quando o partido oficial perdeu para a Liga Nacional pela Democracia (LND), de Aung San Suu Kyi, Nobel da Paz de 1991.

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