'Monitorar eleições no Sudão seria como observar pleito de Hitler', diz fiscal

Declarações foram feitas após presidente do país tentar expulsar observadores internacionais

23 de março de 2010 | 17h33

Reuters

 

BRUXELAS- O fiscal da Corte Penal Internacional (CPI) Luis Moreno Ocampo disse nesta terça-feira, 23, que controlar as eleições do Sudão seria como monitorar os comícios na Alemanha de Hitler. "É como ser observador em uma eleição de Hitler. É um enorme desafio", disse o argentino em um seminário em Bruxelas.

 

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O observador pressionou pela ordem de prisão emitida pela CPI contra o presidente sudanês Omar Hassan al-Bashir, que está concorrendo nas eleições, por supostos crimes de guerra e contra a humanidade na região de Darfur.

 

Bashir ameaçou nesta segunda expulsar os observadores internacionais das eleições, com a justificativa de que a votação seria atrasada devido a problemas logísticos.

 

A União Europeia enviará 130 observadores ao Sudão em abril para avaliar as eleições, a primeira votação que inclui múltiplos partidos em mais de duas décadas.

 

As acusações de fraude aumentaram antes do pleito. A única missão observadora internacional a longo prazo no Sudão, o Centro Carter, disse que as eleições continuam "em riscos em várias frentes" e instou o Sudão acabar com os combates com Darfur antes do pleito.

 

Bashir expulsou agências humanitárias do país logo depois de a CPI ter emitido uma ordem de prisão contra ele no ano passado por crimes que incluíam assassinato, estupro e tortura.

 

Muitos partidos de oposição pediram que as eleições sejam adiadas, com a justificativa de que o Sudão precisa de tempo para aprovar reformas democráticas.

 

O pleito faz parte de um acordo de paz de 2005 que colocou fim a mais de duas décadas de guerra civil entre o norte e o sul do Sudão.

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