Monitores chegam à Síria após bombardeio

Assad promete conter 'terroristas' e reduz expectativas de que trégua perdure

LOURIVAL SANTANNA, ENVIADO ESPECIAL / DAMASCO, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2012 | 03h03

No dia da chegada de um grupo avançado da missão de observadores do cessar-fogo enviada pela ONU, o governo sírio bombardeou a cidade de Homs e advertiu ontem que vai entrar em ação para conter os "grupos terroristas", como qualifica os combatentes da oposição. A declaração reduziu as expectativas de que perdure o cessar-fogo - já ameaçado por uma série de ações, desde que entrou em vigor, na quinta-feira.

"Concomitantemente com a resolução do Conselho de Segurança para enviar observadores internacionais para monitorar a implementação da iniciativa do enviado da ONU Kofi Annan, os grupos terroristas armados escalaram histericamente suas agressões contra o Exército, as forças de imposição da ordem e os civis", declarou uma "fonte militar" citada pela agência oficial de notícias Sana. "Em sua missão de proteger a segurança da pátria e os cidadãos, as autoridades impedirão que esses grupos terroristas armados continuem suas agressões criminosas, assassinatos e sabotagens contra os cidadãos e suas propriedades."

A resolução aprovada no sábado prevê o envio de 30 observadores. Cinco deles chegaram ontem à noite, seguidos depois por mais 25. Se o cessar-fogo tiver continuidade, uma segunda resolução deve aprovar a ampliação da missão para 250 a 300 observadores.

Ahmed Fawzi, porta-voz de Annan, explicou ontem que eles não monitorarão apenas o cessar-fogo, mas o cumprimento dos seis pontos do plano do mediador da ONU e da Liga Árabe, que inclui a retirada das tropas do entorno das cidades, o acesso das agências humanitárias à população necessitada e a livre circulação de jornalistas.

Para passar pelas barreiras militares erguidas nas estradas, os poucos jornalistas estrangeiros com visto atualmente no país precisam de uma carta do Ministério da Informação. O Estado recebeu autorização para viajar hoje para Deraa, 100 km ao sul de Damasco, onde a rebelião teve início, há 13 meses. O acesso a Homs, uma das cidades mais afetadas pelo conflito no momento, não era permitido até ontem.

Violação do cessar-fogo. O governo e a oposição têm trocado acusações sobre os confrontos e mortes em várias partes do país. Ativistas citados pela agência Reuters disseram que seis pessoas foram mortas ontem em Homs, onde caía "um morteiro por minuto", disparado pelas forças leais ao regime.

Walid al-Fares, morador do bairro de Khalidiya, afirmou ter visto no início da manhã um helicóptero e um avião de reconhecimento sobrevoando a área. "Dez minutos mais tarde, houve pesado bombardeio", disse o ativista. Um vídeo supostamente filmado ontem em Khalidiya mostra o som de um míssil, seguido pelo barulho de uma explosão e imagens de uma bola de fogo e de fumaça.

"Nada mudou em Homs", disse outro ativista, identificado como Abu Rabea. "Homens leais ao governo estão nos telhados disparando metralhadoras contra nós e somos alvos de morteiros. A única coisa que mudou é que dizem que o plano de Kofi Annan foi aceito pelo regime e o mundo acredita neles."

De sua parte, a agência oficial síria noticiou que "um grupo terrorista" matou um soldado e feriu outros três em uma emboscada na Província de Idlib, noroeste do país.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou ontem em Bruxelas sua preocupação com o bombardeio de Homs e pediu ao governo sírio que evite uma escalada na violência.

"Ao mesmo tempo em que saudamos a suspensão da violência neste momento, alerto que o mundo todo está assistindo com olhares céticos se isso será sustentável", declarou o secretário-geral.

"Faço um apelo nos termos mais fortes possíveis de que essa suspensão da violência deve ser mantida."

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