Monitores de eleição tentam driblar pressão do Kremlin

Entidade chegou a ser despejada durante a campanha eleitoral sem qualquer argumento

TALITA EREDIA , ENVIADA ESPECIAL / MOSCOU - O Estado de S.Paulo, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2012 | 03h03

Nas eleições presidenciais de domingo, o Kremlin tem a estratégia clara de desqualificar qualquer rival ou crítico de seu processo eleitoral, avaliam ONGs independentes russas. A Golos, a principal organização de monitoramento das eleições e recente vítima da ofensiva contra essas entidades, não deixou de recrutar e treinar cerca de 3 mil voluntários para atuar como observadores.

Autora de um mapa de fraudes por todo o país, a entidade chegou a ser despejada por seus inquilinos em plena campanha eleitoral sem qualquer argumento. Ao Estado, um dos pesquisadores da Golos, Viktor Vakhshtayn, criticou o processo eleitoral. "A vitória de Putin é indiscutível. O que está em questão é a sua legitimidade", afirma o especialista. Segundo ele, nunca se viu tanta pressão das autoridades sobre a atuação da Golos. O que motivou o aumento da perseguição política foram os avanços alcançados com o uso da tecnologia para monitoramento.

A Golos estima ter recebido mais de 30 mil denúncias de fraudes na eleição parlamentar de dezembro, mas as autoridades desqualificaram a maioria delas e, entre os casos suspeitos, não houve nenhuma acusação formal ou condenação.

Os coordenadores da ONG dizem ser constantemente procurados pela polícia. Em dezembro, a diretora da Golos, Lydia Shibanova, ficou detida por mais de 12 horas no aeroporto de Moscou, onde seu notebook foi confiscado. A mídia pró-governo chegou a especular que a organização teria recebido dinheiro do exterior para manter as suas investigações.

O diretor da Golos, Grigori Melkonyants, alerta ainda que, na maioria das vezes, as violações são cometidas pelas próprias comissões eleitorais. Por isso, é muito complicado para um voluntário que trabalha na votação. Até as famílias acabam envolvidas no processo. "Uma das minhas ex-alunas trabalha hoje para a Golos e seus pais receberam um telefonema perguntando o que eles achavam do fato de a filha deles estar trabalhando para uma associação que está vendendo o seu país para o Ocidente", disse.

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