Montadoras argentinas venderam 70 mil carros em 2002

A indústria automotiva argentina nãoterá motivos para sentir saudade do ano 2002. Este foi, de longe,o pior ano de sua história, o que implicou numa diminuição nas vendas para apenas 70 mil unidades. Os quatro anos e meio de recessão acumulados, junto com o"corralito" (semicongelamento de depósitos bancários) e o"corralón" (confisco dos prazos fixos), além das incertezassobre o futuro econômico do país, fizeram com que as vendas parao mercado interno despencassem, segundo estimativaspreliminares da Associação de Fabricantes de Automóveis (Adefa). O número é ilustrativo da crise que atinge o setor, mais ainda se comparado com o desempenho no início dos anos 90, quando asvendas eram de mais de 150 mil unidades por ano, ou meados da década,quando atingiu o pico de 450 mil automóveis ao ano. No ano passado, as vendas foram de 167 mil unidades. Em 2000,o setor conseguiu vender 298 mil. Em 1999, as vendas foram de346 mil. No ano 1998, quando começou esta última recessão, osetor conseguiu vender 423 mil unidades. "Dois mil e dois foi o ano mais difícil e complexo dahistória da indústria automotiva argentina", disparou opresidente da Adefa, Juan Manuel Lardizábal. Segundo ele, 2003não inspira otimismo: "Será igual ao atual." Lardizábal sustentou que, "se o plano econômico der certo egerar expectativas positivas e de credibilidade, pode-se esperarque nos últimos quatro meses de 2003 aconteça uma reativação daeconomia". O presidente da Adefa afirmou que as exportações de automóveissão apenas "um complemento do mercado doméstico. Nossaindústria está instalada para atender a demanda interna". No entanto, segundo dados da Adefa, as exportações foram oelemento que impediram que 2002 não fosse pior ainda para osetor. Nos primeiros 11 meses do ano, foram exportadas 113 mil unidades, 50% a mais do que foi vendido dentro do país. Em alguns casos, como a Volkswagen e a Ford, 80% dofaturamento entre janeiro e novembro foi proporcionado pelasexportações. Este é um panorama radicalmente diferente ao que ocorria aolongo dos anos 90, especialmente na segunda metade do decênio,quando o setor vendia 10 vezes mais no mercado interno do quepara o exterior.

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