Montesinos depõe em processo de Fujimori

Após oito anos sem ver ex-presidente do Peru, antigo chefe da inteligência tenta inocentá-lo de massacres

REUTERS E EFE, O Estadao de S.Paulo

01 de julho de 2008 | 00h00

Após oito anos, o ex-presidente peruano Alberto Fujimori (1990-2000) e seu ex-assessor e ex-chefe de espionagem Vladimiro Montesinos viram-se cara a cara num tribunal. Homem forte do antigo governo e peça-chave do escândalo que derrubou Fujimori, Montesinos testemunhou ontem no julgamento do ex-presidente e tentou inocentá-lo da responsabilidade de massacres ocorridos nos anos 90. Fujimori está respondendo pelos casos de desaparecimentos atribuídos ao Serviço de Inteligência do Exército, por ordenar escutas telefônicas e pelas chacinas de Barrios Altos, em 1991, e La Cantuta, em 1992, consideradas as mais graves violações dos direitos humanos cometidas no Peru nos últimos 30 anos. Executados por um esquadrão de morte do Exército, os massacres deixaram 25 mortos. Montesinos tentou justificar as escutas dizendo que elas foram realizadas "por razões de Estado". Depois desse primeiro depoimento, ele anunciou que agora recorrerá a seu direito de permanecer em silêncio. Segundo o advogado de acusação Ronald Gamarra, Montesinos compareceu ao tribunal para "limpar o nome de Fujimori", o que provaria que eles "continuam sendo sócios e cúmplices". O ex-assessor presidencial é acusado de montar um esquema de subornos e de chantagear políticos, juízes, jornalistas e empresários. O que provocou sua queda foi a divulgação de um vídeo que ele havia gravado, em setembro 2000. Na fita, Montesinos subornava um deputado da oposição. Foi o primeiro "vladivídeo", que desatou o escândalo que levou Fujimori a fugir do país, dois meses depois. Em 2001, Montesinos foi preso na Venezuela e deportado. Hoje, cumpre pena de 20 anos por corrupção e crimes contra a humanidade.Ainda ontem, o Peru convocou seu embaixador na Bolívia para avaliar "o conjunto de relações". O motivo seriam as denúncias do presidente boliviano, Evo Morales, de que os EUA teriam uma base militar em território peruano.

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