Montesinos desiste de greve de fome

Vladimiro Montesinos encerrou sua greve de fome e a justiça peruana colocou à sua disposição mais uma advogada, já que o ex-assessor presidencial responde a 52 processos, informaram nesta quarta-feira autoridades locais. Um porta-voz do Instituto Nacional Penitenciário (INPE), Ricardo Vega, disse à Associated Press que Montesinos - detido numa prisão projetada por ele para prender guerrilheiros em uma base da Marinha no vizinho porto de El Callao - encerrou sua greve de fome iniciada na última quinta-feira depois de as autoridades judiciais terem autorizado, ontem, sua família a lhe levar alimentos. Ainda ontem, o presidente da Corte Superior de Lima, Sergio Salas, antecipou aos jornalistas que o Ministério da Justiça contemplava a possibilidade de designar mais um advogado de defesa para Montesinos, afim de que sua defesa não se concentre em uma só pessoa, a advogada Patricia Hurtado. Hoje, Hurtado informou à Associated Press que a advogada Gloria Aguero foi incorporada à equipe de defesa do ex-chefe de fato do Serviço de Inteligência Nacional. De acordo com ela, "Montesinos é interrogado duas vezes por dia, começando às 9h e demorando muitas horas, pois não há um horário determinado". Hurtado contou que "em cada interrogatório é tratado um processo diferente", mas recusou-se a revelar sobre quais casos Montesinos foi interrogado, obedecendo o caráter sigiloso das entrevistas. Porém, ela comentou que o homem forte do governo destituído de Alberto Fujimori será interrogado na próxima quarta-feira por um juiz e um promotor com relação às acusações de envolvimento com o narcotráfico. Demetrio Chávez, um ex-chefe do tráfico de drogas que cumpre pena no país e é conhecido como "Vaticano", disse durante seu julgamento que enviava impunemente aviões com cocaína de Campanilla, no noroeste do Peru, até a Colômbia durante a década de 90 porque Montesinos o protegia em troca de uma propina mensal de US$ 50.000. Chávez disse inclusive que Montesinos o informava via rádio sobre as operações que seriam realizadas contra o narcotráfico para que ele tivesse tempo de esconder seus laboratórios clandestinos de elaboração de drogas. Além de narcotráfico, Montesinos responde a acusações de lavagem de dinheiro, violações dos direitos humanos, contrabando de armas para rebeldes colombianos, corrupção de funcionários, associação ilícita e compra supervalorizada de material bélico para o Peru, entre outras.

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