Montesinos é acusado de traficar armas para a guerrilha

Um procurador que investiga Vladimiro Montesinos acusou nesta terça-feira o foragido ex-assessor presidencial peruano de ter organizado o contrabando de 10.000 fuzis para o grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). O procurador José Ugaz atribuiu a informação ao fornecedor das armas - o comerciante libanês Sarkis Soghanalian, que, em uma entrevista em Washington, disse que o tráfico de fuzis foi organizado pelo próprio Montesinos. Ao mesmo tempo, David Waisman, presidente de uma comissão legislativa também encarregada de investigar o ex-assessor de inteligência do ex-presidente Alberto Fujimori, disse que Montesinos controlava pessoalmente, ou através de seus testas-de-ferro, uma quantia equivalente a US$ 1 bilhão. Ao ser entrevistado em Washington, o libanês Soghanalian disse que Montesinos havia comprado as armas como se fossem destinadas às Forças Armadas peruanas, mas as desviou para território colombiano. Por sua vez, Ugaz disse ter sido informado por Soghanalian que, quando o comerciante se reuniu em determinada ocasião em Lima com Montesinos, este último comentou sobre o envolvimento dos irmãos Luis e José Aybar na compra do armamento na Jordânia e sua tranferência para a Colômbia. Ugaz disse que Soghanalian lhe entregou dois documentos comprovando que os cúmplices de Montesinos na operação ilegal atuavam oficiosamente em nome do governo peruano. Em 7 de fevereiro, uma juíza abriu processo com ordem de detenção contra Montesinos, por suposto delito de contrabando de 10.000 fuzis Kalashnikov para os guerrilheiros das Farc.

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