Montesinos oferece devolver US$ 77 milhões que desviou

O ex-chefe de inteligência peruano Vladimiro Montesinos propôs à Procuradora da Nação devolver US$ 77 milhões de suas contas bancárias no exterior, em troca de melhores condições presidiárias e de tratamento especial para sua esposa e filha. A Procuradora da Nação, Nelly Calderón, informou nesta terça-feira à noite que Montesinos lhe enviou uma carta, em 14 de dezembro passado, pela qual autoriza a Procuradoria a iniciar as gestões necessárias à repatriação do dinheiro que tem em bancos da Suíça e em outros do exterior. Segurança máxima "A única coisa que lhe oferecemos foi zelar para que o julgamento dele e de sua família seja conduzido dentro das normas do devido processo", afirmou Calderón. Montesinos, acusado de corrupção, enriquecimento ilícito e outros delitos, encontra-se detido em uma prisão de segurança máxima na base naval de El Callao, desde que foi capturado em Caracas em junho do ano passado. "Dinheiro da corrupção" Segundo a procuradora, a análise das propostas apresentadas pelas duas partes durou até 17 de janeiro deste ano, quando a advogada de Montesinos, Estela Valdivia, enviou um novo documento, no qual o ex-chefe de inteligência reafirmou sua decisão de colaborar com a repatriação do dinheiro de suas contas. Calderón ressaltou que esse dinheiro é proveniente de atos de corrupção do ex-braço direito do destituído presidente Alberto Fujimori. Descrédito O procurador José Ugaz, que foi encarregado das investigações sobre o caso Montesinos durante mais de um ano, mostrou-se cético. "Montesinos vem oferecendo isto (a repatriação do dinheiro) desde julho e até esta data não assinou um só papel, afirmou nesta quarta-feira Ugaz a uma emissora local, acrescentando que o ex-chefe de inteligência controla uma "mínima parte" do total de dinheiro dessas contas. Calderón disse que seria possível repatriar, dentro de 15 dias, US$ 48 milhões que Montesinos tem na Suíça - o que Ugaz considerou muito improvável.

Agencia Estado,

23 Janeiro 2002 | 17h10

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