Montevidéu convida militares a ato de reparação por morte durante ditadura

Na celebração, o governo deverá assumir a responsabilidade pela morte da mãe de Macarena Gelman

Ansa,

13 de março de 2012 | 19h35

MONTEVIDÉU - O governo do Uruguai irá convidar os comandantes das Forças Armadas para assistir ao ato em que o país assumirá a responsabilidade pela morte da mãe da cidadã Macarena Gelman, que será realizado no próximo dia 21.

 

O convite aos comandantes do Exército, da Marinha e da Força Aérea foi acordado na segunda-feira, 12, durante uma reunião do Conselho de Ministros com o presidente José Mujica, que será o único orador do ato, como informou nesta terça o jornal uruguaio La República.

 

Fontes indicaram à publicação que os militares devem aceitar a proposta, já que "o convite de um superior, mesmo que seja para participar de uma atividade social, é uma ordem".

 

O governo do Uruguai irá se limitar a assumir a responsabilidade pela morte da mãe da cidadã e não de outras violações aos direitos humanos que foram realizadas durante a ditadura (1973-1985), como disse recentemente o secretário da Presidência, Alberto Breccia, em entrevista à Ansa.

 

A mãe de Gelman foi sequestrada em Buenos Aires junto com o marido, Marcelo Gelman, em agosto de 1976 , quando estava grávida, e depois foi transferida ilegalmente para Montevidéu dentro do Plano Condor, que coordenou a repressão durante os regimes militares do Cone Sul entre os anos de 1970 e 1980.

 

Depois de dar à luz em cativeiro, ela foi executada e seus restos permanecem desaparecidos desde então. O pai de Macarena, Marcelo Gelman, foi assassinado em Buenos Aires, onde seu corpo foi encontrado e identificado em 1989.

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