Monti alerta italianos a não acreditarem em 'mágicas'

O ex-primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, disse nesta terça-feira que não há motivo de pânico nos mercados financeiros, já que a crise política que levou o primeiro-ministro Mario Monti a anunciar sua renúncia irá antecipar as eleições parlamentares do país em apenas pouco mais de um mês. Já Monti alertou os italianos nesta terça-feira a não confiarem em "soluções mágicas" para as eleições que deverão ser antecipadas para fevereiro de 2013. Monti disse que renunciará logo após a aprovação do orçamento de 2013, mas a cresce a pressão, principalmente entre os banqueiros e industriais, para que ele se candidate.

AE, Agência Estado

11 de dezembro de 2012 | 16h42

Monti implementou as duras medidas de ajuste fiscal, parte das quais foram aprovadas no final do governo Berlusconi em 2011. Os cortes significam uma redução de gastos de ? 54 bilhões. A economia italiana está em recessão desde 2011 e deverá fechar 2012 com retração.

Berlusconi renunciou em novembro do ano passado para dar lugar ao governo tecnocrata de Monti. O atual premiê, no entanto, anunciou no fim de semana que vai renunciar devido à falta de apoio do partido de Berlusconi, o Povo da Liberdade (PDL), de centro-direita. Berlusconi, magnata da mídia de 76 anos, foi condenado recentemente por evasão fiscal, mas como recorre da sentença, ainda não teve os direitos políticos cassados e poderá participar das eleições em fevereiro.

A centro-esquerda italiana já escolheu seu candidato nas primárias, Pier Luigi Bersani, chefe do Partido Democrático (PD). Embora o PD lidere as pesquisas de intenção de voto, não conseguiria conquistar uma maioria para formar governo. Uma das expectativas é que o PD se alie à União Democrata Cristã (UDC), de centro.

A turbulência política na Itália impulsionou os yields (retorno ao investidor) dos bônus italianos e derrubou as ações negociadas em Milão nos negócios na segunda-feira.

Berlusconi, que há pouco mais de um mês afirmou que não se candidataria novamente, mudou de ideia e já está em plena campanha eleitoral. Nesta terça-feira, ele acusou Monti de ser "germanófilo". Além disso, acusou a Alemanha pela alta nos yields dos bônus italianos. "Não deveríamos ligar para a diferença entre o que pagamos de juros sobre bônus do governo e o que os alemães pagam. O que realmente importa é que a taxa de juros que pagamos sobre nossa dívida soberana está agora dois pontos porcentuais mais alta que no ano passado", disse Berlusconi em entrevista por telefone à emissora de TV Canale 5, da Mediaset, empresa controlada por ele.

Berlusconi voltou a culpar a Alemanha pela alta dos yields dos bônus italianos. "(No ano passado), a Alemanha ordenou que seus bancos vendessem bônus italianos e isso provocou vendas de 7 bilhões a 9 bilhões de euros", afirmou.

Já a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, voltou a defender Monti nesta terça-feira e lembrou que o economista ajudou a recuperar, pelo menos em parte, a credibilidade da Itália. "Nós vimos que os investidores financeiros reconquistaram alguma confiança na Itália", disse Merkel em Berlim. "Assim, acreditamos que a população italiana fará sua escolha de uma maneira que a Itália continue no bom caminho", acredita Merkel.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.