Monti é convocado a formar novo governo italiano após renúncia de Berlusconi

Economista e ex-comissário europeu, Monti deve montar gabinete tecnocrata contra a crise da dívida, agravada nas últimas semanas.

BBC Brasil, BBC

13 de novembro de 2011 | 17h09

O economista Mario Monti, de 68 anos, foi convocado neste domingo pelo presidente da Itália, Giorgio Napolitano, a formar o novo governo do país após a renúncia do premiê Silvio Berlusconi, na véspera.

A confirmação do convite a Monti, amplamente esperado, ocorreu após uma reunião de menos de uma hora com Napolitano no palácio presidencial Quirinale, em Roma.

A formação de um novo governo ainda no fim de semana, antes da abertura dos mercados financeiros na segunda-feira, era vista como importante nos esforços para acalmar os investidores sobre a capacidade da Itália de sair da atual crise.

Berlusconi, que havia resistido por anos a escândalos pessoais e de corrupção e a mais de 50 votos de confiança, foi obrigado a renunciar após perder o apoio da maioria no Parlamento diante do agravamento da crise da dívida nas últimas semanas.

Monti deve encabeçar um governo de tecnocratas cuja principal função será implementar o plano de austeridade aprovado no sábado.

A lei aprovada pelo Parlamento contém medidas duras para economizar 59,8 bilhões de euros e equilibrar o orçamento do país até 2014.

Entre estas estão o aumento do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), de 20% para 21%; o congelamento dos salários de servidores até 2014; a elevação da idade mínima de aposentadoria para as trabalhadoras do setor privado, de 60 anos em 2014 para 65 em 2026; aperto nas medidas contra a evasão fiscal; e um imposto especial para o setor de energia.

'Homem certo'

O ex-premiê italiano Romani Prodi, que liderou um governo de centro-esquerda entre dois mandatos de Berlusconi, elogiou a saída do polêmico magnata e disse que Monti é "o homem certo" para sucedê-lo.

"Ele (Monti) é moderado e conhece o sistema financeiro internacional. Esse ataque especulativo contra os títulos da divida italiana são em parte por causa de Berlusconi, não por causa da realidade", afirmou Prodi.

Ele disse que "ter um primeiro-ministro que tenha credibilidade e que cuide das finanças públicas, nao as suas próprias finanças" ajudará o país a recuperar a confiança dos investidores.

Monti era visto como o nome preferido dos mercados para suceder Berlusconi.

No entanto, analistas afirmam que, mesmo com a aprovação do pacote de reformas e a posse de um primeiro-ministro tecnocrata, a Itália ainda terá dificuldade para equilibrar sua economia.

A dívida pública italiana já atinge 120% do PIB (Produto Interno Bruto). Na quinta-feira, o governo italiano conseguiu levantar 5 bilhões de euros em novos títulos da dívida, a juros de 6,087% para títulos de um ano.

Na quarta-feira, os juros para títulos da dívida de dez anos chegaram a 7%, mesmo patamar registrado por Grécia, Irlanda e Portugal quando foram obrigados a buscar ajuda financeira do FMI e da UE.

Uma equipe de especialistas da UE já está trabalhando em Roma, monitorando os planos do governo para reduzir sua dívida.

Nos últimos 15 anos, a economia italiana cresceu a uma taxa média anual de 0,75%. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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