Morador morre em custódia e China reprime protestos

Um homem acusado de participar de uma manifestação por terras em um vilarejo no sul da China morreu sob a custódia da polícia, ameaçando aumentar a tensão em um pequeno bolsão da província de Guangdong, dependente da exportação, que se tornou uma fonte de inquietação persistente.

JAMES POMFRET E CHRIS BUCKLEY, REUTERS

12 de dezembro de 2011 | 13h46

O homem morreu quando a tropa de choque tentava conter uma disputa no vilarejo costeiro de Wukan, onde o desenvolvimento comercial e industrial consumiu faixas de arrozais.

Os moradores dizem que centenas de hectares de terra foram tomados de maneira injusta por autoridades corruptas.

O governo em Shanwei, uma área que inclui Wukan, disse que Xue Jinbo adoeceu no domingo, seu terceiro dia na prisão. Médicos mais tarde atestaram sua morte.

Em um aparente esforço para evitar mais problemas na área, que viu centenas de policiais da tropa de choque disparar gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes que protestavam no domingo, as autoridades notificaram imediatamente a família de Xue e ofereceram ajuda.

"A causa da morte foi insuficiência cardíaca, e outras causas da morte foram descartadas provisoriamente", dizia a nota colocada no site do governo de Shanwei, citando médicos.

Mas familiares contestam isso e dizem que Xue foi espancado e torturado. Depois de ver seu corpo, sua filha disse à Cable Television de Hong Kong que o rosto dele estava roxo, suas unhas e mãos foram esmagadas e seus pulsos tinham vergões.

A morte já gerou uma resposta raivosa na Internet.

"Estamos muito tristes e bravos com sua morte", disse um morador que não quis ser identificado.

"Ele não cometeu nenhum crime. Ele era apenas um negociador falando com o governo, tentando ter de volta nossa terra. Ele defendia os direitos dos agricultores."

Apesar de o Partido Comunista da China ter governado por décadas de crescimento econômico, o que o protegeu de contestações ao seu poder, o país enfrenta milhares de protestos menores e tumultos todos os anos, que desgastam a autoridade do partido nas bases, onde o descontentamento é frequentemente alimentado por disputas de propriedade e terras.

O especialista em tumultos Sun Liping, da Universidade Tsinghua de Pequim, estima em mais de 180 mil "incidentes de massa" em 2010. A maior parte das estimativas de acadêmicos e especialistas governamentais colocam os números em cerca de 90 mil anualmente em 2009 e 2010. O governo não forneceu estatísticas.

O temor verdadeiro das autoridades não é o número de protestos, mas sua tendência de se tornarem mais persistentes e organizados - como em Wukan, onde se prolongaram por meses.

(Reportagem adicional de Huang Yan em Pequim)

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