Moradores da aldeia natal de Saddam demonstram revolta

Moradores da empobrecida aldeia onde Saddam Hussein nasceu demonstraram revolta diante do enforcamento do ex-presidente neste sábado e disseram que agora ele é um mártir da luta contra o governo apoiado pelos Estados Unidos."Se Saddam for executado, ele será um mártir e entrará para a história", disse um jovem de cerca de 20 anos, aparentemente descrente do enforcamento de Saddam."Esse é um tribunal mercenário. O povo iraquiano rejeita esse tribunal. Saddam é o presidente legal do Iraque. Se eles o executarem, nós nos rebelaremos. Vamos virar uma bomba", disse outro jovem em Awja, uma aldeia de pomares e plantações de palmeiras próxima ao rio Tigre, 150 km a norte de Bagdá.Saddam, 69, saiu da pobreza em Awja para liderar o Iraque por meio do medo por três décadas antes de ser derrubado pela invasão norte-americana em 2003. Ele foi enforcado por crimes contra a humanidade e pela tortura de xiitas na década de 1980 na manhã de sábado.Durante sua permanência no poder, Saddam se cercou de parentes de Awja e da vizinha Tikrit, criando um círculo pretoriano de assessores da tribo árabe sunita Albu Nasir.Como testamento do patronato de Saddam, Awja mostra ainda hoje grandes mansões ao lado de construções muito mais humildes.A tribo Albu Nasir quer que ele seja enterrado em Awja, ao lado dos túmulos de seus dois filhos Uday e Qusay, que foram mortos em 2003 pelas tropas dos EUA. Também foi perto de Awja que as forças norte-americanas encontraram Saddam desorientado e desgrenhado, escondendo-se num buraco coberto por plástico e um tapete, próximo a uma cabana simples numa plantação de laranjas.O governador de Salahaddin -- nomeada em homenagem ao líder muçulmano do século 12 e nativo de Tikrit que lutou contra as cruzadas cristãs -- disse à Reuters que sua tribo e a de Saddam estão negociando para que o corpo retorne à família em Awja.Tikrit está sob toque de recolher durante quatro dias para evitar violência.Questionada sobre a morte de Saddam no cadafalso, uma anciã vestida em preto foi filosófica sobre o fim violento e dramático do filho mais famoso da aldeia."É a vontade de Deus. Não há nada que possamos fazer", disse, encolhendo os ombros.

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