AFP PHOTO / KARAM AL-MASRI
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Moradores de Alepo publicam mensagens de ‘adeus’ nas redes sociais

Sírios estão cada vez mais desesperançosos com relação à situação na região e apelam por ajuda da comunidade internacional

O Estado de S.Paulo

15 Dezembro 2016 | 11h36

Sírios que moram na região leste de Alepo estão compartilhando suas mensagens desesperadas de “adeus” nas redes sociais enquanto forças do governo tentam combater os rebeldes. Milhares de civis permanecem presos em meio ao que é descrito por um porta-voz da ONU como “a completa destruição da humanidade”.

“Este pode ser meu último dia. Mais de 50 mil civis que se rebelaram contra o ditador (e presidente sírio, Bashar) Assad são ameaçados com execuções em campos ou morrem em bombardeios”, disse Lina Shamy, ativista que vive no leste de Alepo, em um vídeo publicado em sua conta no Twitter.

As forças do regime sírio retomaram grandes áreas de Alepo, que vinham sendo controladas por rebeldes há quatro anos. Em suas últimas ações para recuperar a cidade, crescem os relatos de que os soldados sírios estariam realizando execuções em massa, segundo informações da rede CNN.

Abdulkafi Al-Hamdo, ativista e professor de inglês que vive na parte leste de Alepo, publicou um vídeo em sua conta no Twitter dizendo que havia desistido de esperar por ações da comunidade internacional. “Não acredito mais nas Nações Unidas. Não acredito mais na comunidade internacional. Não acredito que eles não estejam satisfeitos com o que está acontecendo”, afirmou. “Eles estão satisfeitos que estamos sendo mortos.”

“A Rússia não quer que saiamos vivos dessa. Ela nos quer mortos. Assad quer o mesmo. Esses dias havia muitas celebrações no outro lado de Alepo. Eles estavam celebrando sob nossos corpos”, relatou Al-Hamdo.

O também ativista da região Salah Ashkar fez um último apelo para as pessoas protestarem na ONU em solidariedade a Alepo. “Por favor, vão às embaixadas e bloqueiem o caminho. Vão à sede das Nações Unidas e bloqueiem a passagem. Por favor, não os deixem dormir. Façam isso e façam agora. Não há tempo a perder. Por favor, fiquem do lado de Alepo”, pediu Ashkar em um vídeo.

O dentista Salim Abu Al-Nasser expressa um sentimento similar. “Esse pode ser meu último pedido. Todos que possam enviar uma mensagem ao seu governo, ao seu país… Peçam a eles que parem com os ataques, com as mortes e com a guerra”, afirmou ele em um vídeo que está circulando nas redes sociais.

Bilal Abdul Kareem, jornalista que vive na Síria e hoje está preso no leste de Alepo, publicou sua “última mensagem” na segunda-feira. Ele condena a comunidade muçulmana pela falha em ajudar as pessoas sitiadas na cidade. “Essa pode ser um dos últimos, ou mesmo o último, contato”, disse Kareem em um vídeo. “Gostaria de dizer à comunidade muçulmana ummah que está por aí… Vocês falharam dessa vez.”

O ativista Monther Etaky tuitou uma mensagem de agradecimento para aqueles que “apoiaram a humanidade” em relação à situação de Alepo. “Gostaria de agradecer a todos os seres humanos que apoiaram a humanidade com relação à nossa situação. Nunca esquecerei vocês, se formos para outra vida.”

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