AFP PHOTO / Belga
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Moradores de Bruxelas tentam voltar à rotina após atentados

Sob clima de terror, cidade amanheceu com policiais e militares do Exército patrulhando ruas e com esquemas de segurança reforçados

Renato Machado, especial para o Estado / Bruxelas, O Estado de S. Paulo

23 de março de 2016 | 10h50

BRUXELAS - A cidade de Bruxelas amanheceu nesta quarta-feira, 23, tentando retomar a vida normal após os atentados que deixaram dezenas de mortos e abalaram todo o continente europeu. No entanto, a quantidade de policiais e de militares do Exército nas ruas e as filas em razão dos procedimentos de segurança ainda deixam no ar uma sensação de insegurança, de que ainda existe o risco de uma nova ação.

O governo belga manteve o alerta de segurança de nível quatro, o máximo da escala. Mas, ao contrário do que aconteceu nos dias após a mesma decretação em 2015 em Paris, não houve o chamado "lockdown". Prédios públicos, escolas, universidades (com exceção de uma, a VUB) e o comércio em geral funcionaram normalmente nesta manhã.

Nas ruas, as pessoas voltaram a circular, ainda com expressões preocupadas, mas tentando seguir suas rotinas. "Hoje no tram (bonde) fiquei olhando ao redor, para ver se havia algo suspeito. Acho que essa tensão ainda vai durar alguns dias, mas é preciso retomar a vida, até para não sermos derrotados", disse o consultor Dominique Bourdin.  

O transporte público foi parcialmente restabelecido, principalmente com a volta dos ônibus e dos trens (bondes). Contudo, duas das principais linhas de metrô – a 2 e a 6 – continuaram totalmente paralisadas. Algumas estações de trem regionais também permaneceram fechadas.  

Segurança. A diferença em relação aos dias normais estava na segurança. No início da manhã, existia uma longa fila apenas para entrar na estação de trem Bruxelles-Centrale. Dez militares faziam a segurança em frente ao prédio. Após entrar, todos deviam enfrentar uma fila única para passar por uma área de inspeção. Em uma longa mesa, cinco policiais abriam todas as malas, mochilas e bolsas para minuciosamente verificar se havia objetos suspeitos.

Existia um cuidado especial em relação às linhas 1 e 5 do metrô, as duas que passam pela estação Maelbeek, onde ocorreu a explosão. As duas funcionaram parcialmente, aceitando usuários que embarcavam na Bruxelles-Centrale com destino às estações do seu extremo. O trajeto pelas demais era substituído por um ônibus de linha.  

"A estação Maelbeek não é um ponto turístico", dizia um funcionário da STIB, empresa que administra o transporte público, tentando desencorajar que passageiros pegassem o metrô apenas para ver os estragos da explosão.

Acompanhado de dois militares, ele perguntava aos usuários para qual estação iam, qual o endereço que visitariam e o que fariam lá. A reportagem do Estado foi barrada pelos militares nesta linha porque estava com uma câmera fotográfica.

No centro antigo, a parte mais turística de Bruxelas, algumas pessoas voltaram a circular e parar para tirar fotos. O cenário é diferente em relação ao de terça-feira, mas ainda está longe de parecer um dia normal na cidade.

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