REUTERS/Guadalupe Pardo
REUTERS/Guadalupe Pardo

Moradores de cidade peruana debaixo de lama tentam sobreviver após inundações

Fenômeno El Niño causou grandes enchentes em todo o país, deixando 75 mortos; mais de 99 mil pessoas perderam todos os seus pertences

O Estado de S.Paulo

22 de março de 2017 | 11h59

HUARMEY, PERU - Para entrar na cidade de Huarmey é preciso mergulhar metade do corpo na lama. "Água, queremos água", gritam os habitantes ilhados em seus telhados. Ninguém pode descer, pois a lama cobre suas casas até a metade. Após as inundações no Peru, os habitantes ficaram presos em um grande pântano.

Na quarta-feira 15, depois de chuvas fortes nos Andes, os "huaicos" - como são conhecidas no país as avalanches de lama e pedras - desceram dos morros como um ataque sincronizado, e fizeram transbordar o rio Huarmey, resultando em muitos estragos à cidade portuária, situada 300 km ao norte de Lima.

"Primeiro começou a vir pouca água do rio, e depois 'boom', a água nos atacou. Já não podíamos fazer nada. Todas as minhas coisas estão enterradas", contou Paulina Farromeque. Ela mora na avenida Alberto Reyes, mesma rua da delegacia. No local, a única coisa que se vê é o teto do carro de patrulha. Alguns agentes atendem no segundo andar do prédio, já que o primeiro está coberto pela lama.

O último relatório oficial aponta 75 mortos desde janeiro em razão das inundações em todo o Peru, causadas pelo fenômeno El Niño Costeiro, que eleva as temperaturas do mar da costa peruana, provocando alta evaporação e fortes chuvas. A situação fez com mais de 99 mil pessoas perdessem todos os seus pertences, segundo o balanço.

Dificuldades. Deslocar-se pelas ruas de Huarmey, na região Ancash, é um desafio. Cada passo é um novo e grande esforço. As pernas ficam presas pela resistência da lama.

"É preciso se segurar nas grades, caminhar pelos extremos para não afundar", explica Eugenio Huertas, que nos últimos dias, por necessidade, desenvolveu a habilidade de se mover com certa habilidade pelo lamaçal.

Em Huarmey há ao menos 40 mil afetados, e o governo enviou navios da Marinha com ajuda humanitária.

A ministra da Saúde, Patricia García, esteve no local. A população assegura, porém, que o apoio oferecido ainda é insuficiente. A ajuda chega, mas não para todos. Os que não podem sair de casa, por exemplo, ficam sem água potável, porque é preciso entrar em uma fila para recebê-la.

"Os helicópteros passam, mas só para tirar fotos. Não vem ninguém", se queixa o pescador Jorge López, morador da cidade com vista para o oceano Pacífico.

São os próprios moradores que retiram, com pás, a lama para limpar suas ruas. Eles inclusive contrataram, com seu dinheiro, maquinaria pesada para a remoção de escombros. Em uma das ruas da cidade, segundo contam os moradores, cada um pagou cerca de US$ 6 do próprio bolso por este serviço.

"Huarmey é uma zona de emergência. Os huaicos continuam vindo, e o mais triste é que chegam pela noite. Necessitamos de ajuda urgente, necessitamos de água", disse Luz Castillo, atrás de um muro de tijolos que construiu na porta da sua casa para bloquear a água. / AFP

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