Moradores de Cleveland marcham contra plano de construir muro

Manifestantes simulam barreira com tecido em crítica às propostas de Trump contra os imigrantes ilegais

Claudia Trevisan, ENVIADA ESPECIAL

21 Julho 2016 | 05h00

CLEVELAND, EUA - Moradora de Cleveland, Edith Rasell não tem ascendência hispânica, mas participou ontem de protesto contra as propostas de Donald Trump de deportar 11 milhões de pessoas que vivem no país sem documentos e de construir um muro na fronteira com o México.

Ao lado de manifestantes usando túnicas idênticas, ela se integrou a um “muro de tecido” que repetia o slogan “Wall off Trump”, que pode ser traduzido como Emparedem Trump.

“O problema não é que eles venham, mas o que acontece quando estão aqui”, disse Rasell, que defende a regularização dos que vivem nos EUA de maneira semiclandestina.

“O fato de imigrantes não terem documentos é ruim para a economia, porque empresários podem explorá-los com salários irrisórios. Por que vão pagar salários decentes se podem contratar pessoas por quase nada?”, perguntou Rasell, que é economista.

Trump usa um argumento semelhante para criticar a imigração ilegal, mas sua receita não é a de legalizar a presença das milhões de pessoas que estão no país sem documentos, mas expulsá-las e permitir que retornem de maneira legal, algo que especialistas consideram inexequível.

Nascida no México, Eva Cárdenas viajou de Atlanta a Cleveland para participar do protesto de ontem. “Trump usa uma retórica racista e xenofóbica, que dá vazão à violência contra imigrantes”, disse ela, que chegou aos EUA com seus pais quando tinha 10 anos. Todos de sua família vivem legalmente no país. 

Entre as palavras de ordem repetidas em espanhol estava “aqui estamos e não nos vamos; e, se nos expulsam, voltamos”. O artista Remy pertence à tribo navajo e foi responsável pelo desenho de um dos “muros de tecido” usados na manifestação, que uniu diferentes grupos de defesa dos direitos de imigrantes. “A população indígena deste país sabe o que a construção de muros significa” afirmou. “Nós fomos colocados em reservas cercadas, que eu chamo de campos de concentração.”

A manifestação ocorreu na entrada da arena Quicken Loans, onde os delegados republicanos se reúnem desde segunda-feira. Dentro do local, a palavra de ordem é “construa o muro!”. 

 

 

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