Kim Kyung-Hoon/Reuters
Kim Kyung-Hoon/Reuters

Moradores de Fukushima dizem 'não' à energia nuclear

Audiência pública coletou opiniões sobre a política energética em região desvastada por desastre

Reuters

01 de agosto de 2012 | 11h45

FUKUSHIMA - Larguem a energia nuclear, e façam isso rápido. Esse foi o recado dado na quarta-feira por moradores de Fukushima a autoridades japonesas numa audiência pública sobre a política energética, realizada numa região devastada por um desastre nuclear que fez disparar a oposição à energia atômica.

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A audiência de Fukushima, a nona entre 11 planejadas no país inteiro, tinha como objetivo coletar opiniões sobre o papel da energia nuclear na matriz energética nacional, num momento em que o governo sofre para cobrir um déficit de eletricidade que poderá afetar o crescimento econômico japonês.

Um terremoto e um tsunami em março de 2011 destruíram parte da usina de Fukushima, causando um vazamento de radiação e a retirada de mais de 160 mil moradores da área, que fica no norte do país. Nos meses seguintes, todas as usinas nucleares japonesas foram paralisadas para passarem por verificações de segurança. Dois reatores foram religados no mês passado.

"Quero que todos os reatores no Japão fechem imediatamente e sejam eliminados", disse uma mulher grisalha, que disse ser agricultora e viver a 65 quilômetros da usina de Fukushima.

"Muitas pessoas agora estão cientes de que a conversa do governo de 'não haver risco imediato à saúde' equivale a 'risco de longo prazo para a saúde''', disse a mulher, que foi muito aplaudida por cerca de 200 moradores que lotavam um pequeno auditório na sede da prefeitura (província).

Goshi Hosono, ministro encarregado da reação à crise nuclear, foi interrompido ao pedir desculpas pelo sofrimento das pessoas em Fukushima. "Nunca esquecerei o que eu ouvi hoje, e estou determinado a fazer tudo o que eu puder."

Promotores de Fukushima lançaram na quarta-feira uma investigação depois que mais de mil moradores apresentaram queixas-crimes contra 15 atuais e ex-funcionários da empresa Tepco, que administra a usina, inclusive Masataka Shimizu, ex-presidente da companhia. Além disso, 18 funcionários do governo também serão investigados, segundo um advogado do grupo. Uma investigação paralela foi iniciada por promotores em Tóquio.

Uma comissão de especialistas nomeada pelo Parlamento concluiu no mês passado que o desastre poderia ser evitado e que a falha na prevenção ocorreu por causa de um "conluio" entre a empresa energética, as agências reguladoras e o governo.

"Após ler o relatório da comissão nomeada pelo Parlamento, os promotores não poderiam ficar de braços cruzados', disse à Reuters Hiroyuki Kawai, advogado dos queixosos.

 

 

 

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