Kena Betancur/AFP
Kena Betancur/AFP

Moradores de Nova York fogem do coronavírus em casas de veraneio

Hamptons, região de luxo a duas horas da metrópole americana, tem alta procura e disparada de preços

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2020 | 03h00

A temperatura caiu e os guarda-sóis já foram guardados para o próximo verão. Mas muitos nova-iorquinos ricos, assustados com a pandemia de coronavírus e o aumento da criminalidade, optaram por ficar em suas casas de veraneio nos Hamptons, uma região de luxo a duas horas de carro da metrópole americana.

Robert Moore não pretende voltar para Nova York. Instalado desde 13 de março em sua casa à beira-mar em Amagansett, uma das vilas dos Hamptons, ele virou a página depois de 26 anos na cidade que nunca dorme.

Aos 58 anos, o empresário planejou no ano passado que levaria "uma vida mais nômade", mas nunca pensou em "abandonar Manhattan". 

"O coronavírus acelerou tudo, para nós e para muitos outros, principalmente aqueles que têm casas aqui", disse.

Muitas pessoas sem obrigações em Nova York fizeram como ele. "Em março, o mercado dos aluguéis explodiu", lembra o corretor de imóveis James McLauchlen. "As pessoas estavam propondo 80 mil dólares por casas de férias que eram alugadas por 50 mil", diz.

Várias mansões foram vendidas por mais de 30 milhões de dólares neste extremo de Long Island, uma área preservada e de baixa densidade populacional, conta, e agora há uma escassez de casas, apesar da alta de 15% dos preços.

Ao leste de Nova York, os Hamptons representam há anos um refúgio para os mais ricos, que costumam passar o verão por lá.

Aposentados, jovens ativos, famílias, todas as faixas etárias estão representadas, desde que tenham os recursos para viver nesta bolha dourada que todo verão recebe famosos como Steven Spielberg, Jennifer Lopez ou Calvin Klein.

"Somos muito privilegiados"

Robert Moore não é o único que deixou Nova York.

Natalie Simpson, uma mãe de 32 anos, vive em sua casa dos Hamptons desde a primavera e se mudará para Connecticut, ao invés de retornar para Nova York.

Ela cita o coronavírus como o principal motivo, "mas foi o aumento da criminalidade o que nos preocupou especialmente", relata. Os roubos de casas (+22%) e de automóveis (+68%) dispararam, assim como os assassinatos (+47%), em agosto em Nova York.

Covid-19, insegurança, vida cultural quase totalmente paralisada, restaurantes fechados ou funcionando com capacidade reduzida..."Se tenho a opção, prefiro não estar lá", disse Robert Moore.

Seu filho mais velho, no entanto, optou por trabalhar em Manhattan. 

"Sinto pena por ele, mas também pelas famílias que não têm a possibilidade que nós temos de deixar a cidade", comenta. "Somos muito privilegiados". /AFP

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