(AP Photo/Ng Han Guan)
(AP Photo/Ng Han Guan)

Moradores de Tianjin se queixam de ardência na pele após primeiras chuvas

Chineses temem que precipitações espalhem restos químicos; autoridades pediram que população se afaste da área

O Estado de S. Paulo

19 de agosto de 2015 | 11h24

PEQUIM - Alguns moradores de áreas próximas ao terminal de contêineres que armazenava produtos químicos, onde ocorreram duas explosões na semana passada, se queixaram nesta quarta-feira, 19, de ardência na pele após as primeiras chuvas registradas na região do porto de Tianjin, na China.

Segundo o jornal South China Morning Post, alguns destes sintomas foram sentidos por voluntários e jornalistas que estavam ontem na área, quando houve precipitações.

Um repórter da Caijing, revista financeira chinesa, disse que sentia queimação nos lábios e nos braços após ficar exposto à chuva. Segundo veículos de imprensa locais, moradores afirmaram que tiveram a mesma sensação.

Diante do temor de que as chuvas previstas para os próximos dias possam contribuir para espalhar os restos químicos, especialmente o cianureto de sódio, altamente tóxico e do qual ainda restam centenas de toneladas, autoridades chinesas pediram à população que "se mantenha afastada" do local do acidente.

"O melhor é manter-se longe do epicentro (das explosões). Não há outra maneira", disse Bao Jingling, engenheiro chefe do Escritório de Proteção Ambiental de Tianjin, segundo o South China Morning Post.

A precipitação também provocou uma camada incomum de espuma nas estradas próximas ao local do acidente, algo que Deng Xiaowen, também do Escritório de Proteção Ambiental de Tianjin, considerou "um fenômeno normal que ocorreu com chuvas prévias".

Até o momento, as autoridades ambientais de Tianjin garantiram que os níveis de contaminação no ar e na água se mantêm em patamares "seguros".

No entanto, o medo em relação à nocividade dos produtos químicos continua. O cianureto pode reagir ao contato com água e produzir cianureto de hidrogênio (ácido cianídrico), extremamente prejudicial à saúde humana.

Pelo menos 3.000 toneladas de produtos químicos perigosos, entre elas 700 de cianureto de sódio, se encontravam no terminal de contêineres quando ocorreram as explosões no dia 12 de agosto.

Apesar da recomendação oficial, alguns proprietários de residências que foram danificadas no acidente continuaram se manifestando ao ar livre e sob a chuva para pedir indenizações.

"Nossas casas já foram destroçadas, o que mais vamos temer?", disse um deles ao Morning Post.

Montadoras. A Toyota Motor e montadoras globais rivais estão procurando desviar os carregamentos de Tianjin para Xangai e outros portos. As explosões da semana passada interromperam por tempo indeterminado as operações no maior polo de importação de automóveis da China.

As empresas estão se esforçando para chegar aos armazéns e terrenos para avaliar os danos e remover milhares de carros carbonizados. O porto continua em operação.

A Renault e a Fuji Heavy Industries, proprietária da Subaru, disseram que iriam redirecionar as importações para Xangai, enquanto a Hyundai Motor afirmou que enviaria mais remessas para Xangai e Guangzhou.

A Toyota está estudando encaminhar as importações para Xangai e Dalian, que têm capacidade suficiente para evitar qualquer problema logístico significativo, disse um executivo em Pequim. /EFE e REUTERS

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