Carlos Garcia Rawlins / Reuters
Carlos Garcia Rawlins / Reuters

Moradores de Tijuana protestam contra chegada da caravana de migrantes

Tensão aumentou depois que mais de 3 mil centro-americanos chegaram recentemente à cidade mexicana após mais de um mês de caminhada

O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2018 | 08h09

TIJUANA, MÉXICO - Centenas de moradores de Tijuana se reuniram em torno de um monumento em uma área nobre da cidade para protestar contra a presença de milhares de migrantes da América Central, que chegaram em uma caravana com a esperança de entrar nos Estados Unidos.

A tensão entre os grupos aumentou depois que mais de 3 mil migrantes da caravana chegaram recentemente à cidade mexicana após mais de um mês de caminhada. Agora, eles terão que esperar meses enquanto solicitam asilo.

O governo federal calcula que o número de migrantes chegará logo menos a 10 mil. Os responsáveis por inspecionar a fronteira dos EUA processam somente cerca de 100 petições de asilo por dia na travessia principal entre Tijuana e San Diego. Os solicitantes anotam seus nomes em um caderno desgastado, o qual já contava com mais de 3 mil assinaturas antes mesmo da caravana chegar.

No domingo, os moradores de Tijuana que se sentem incomodados com a presença dos migrantes agitaram bandeiras e cantaram o hino nacional mexicano e coreano. “Fora, fora!”, gritavam eles em frente a uma estátua do imperador asteca Cuauhtémoc, localizado a 1,6 km da fronteira com os EUA.

Eles acusaram os membros da caravana de serem sujos, mal-agradecidos e um perigo para a cidade, e reclamaram da forma pela qual o grupo chegou ao México, qualificando o movimento de “invasão”. Também temem que o governo local use o dinheiro de seus impostos para manter o grupo. “Não queremos vocês em Tijuana”, gritavam os manifestantes.

Juana Rodríguez, uma dona de casa, disse que o governo precisa fazer uma revisão dos antecedentes dos migrantes para garantir que não tenham registros criminais. Uma mulher que se identificou como Paloma atacou os centro-americanos, alegando que eles chegam ao país apenas para ganhar coisas. “Que seu governo fique responsável por eles”, disse a jornalistas que cobriam a manifestação.

A poucos metros dali, cerca de uma dezena de moradores exibiam cartazes de apoio aos migrantes. Keyla Zamarrón, uma professora de 38 anos, afirmou que os manifestantes não representam sua forma de pensar, enquanto segurava um cartaz que dizia “A infância não tem fronteiras”.

A maioria dos migrantes que chegaram a Tijuana nos últimos dias partiram há mais de um mês de Honduras, um país de nove milhões de habitantes. Dezenas deles disseram que saíram de sua terra após receber ameaças de morte. Contudo, a viagem tem sido dura e muitos já retornaram. / AP

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