Moradores de Zulia começam a pensar em autonomia

O nome do movimento com sede em Maracaibo, capital do Estado que é o principal reduto da oposição na Venezuela, não deixa dúvidas sobre sua natureza: Rumo Próprio para Zulia. O grupo, que tem semelhanças com os movimentos das regiões que lutam por autonomia na Bolívia, foi criado há quatro anos por dois professores universitários e um militar para pedir mais autonomia para esse rico Estado venezuelano. É um exemplo de que, se a maioria da população de Zulia ainda evita confronto entre autoridades regionais e Caracas por uma melhor distribuição do poder, com os constantes ataques de Hugo Chávez à região, cresce o número dos que começam a pensar no assunto. "O presidente é o principal responsável pelo crescimento do sentimento regionalista", diz o professor de economia Néstor Suárez, ex-vice-ministro da Fazenda e um dos fundadores do Rumo Próprio. "O apoio ao nosso movimento está crescendo e deve aumentar ainda mais se Chávez cortar os recursos para nosso Estado no caso de uma vitória opositora." Como na Bolívia, eles pretendem convocar um referendo para aprovar um estatuto autonômico que lhes dê mais independência. A diferença em relação ao caso boliviano, porém, é que no Rumo Próprio fala-se menos em uma nova divisão de recursos e mais em ampliar as garantias para que o setor privado continue a produzir.Isso porque o projeto de socialismo bolivariano de Chávez causa arrepios em parte dos que vivem em Maracaibo. "Não queremos o socialismo - somos capitalistas e exigimos a liberdade de poder escolher o sistema econômico em que vivemos", diz Suárez. "Que sejam socialistas os caraquenhos, se quiserem."

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