Asmaa Waguih/Reuters
Asmaa Waguih/Reuters

Moradores fogem de cidade natal de Kadafi

Tropas leais ao ditador líbio tenta impedir habitantes de deixar Sirte e oferecem resistência a rebeldes

Agência Estado

20 Setembro 2011 | 14h17

SIRTE - Famílias em picapes com colchões empilhados e jarras de água fugiam da cidade natal de Muamar Kadafi, Sirte, nesta terça-feira, 20, antes de uma nova investida das forças revolucionárias para tomar o local dos homens leais ao coronel líbio.

 

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Moradores em fuga disseram que têm vivido sob cerco, já que as forças de Kadafi os impedem de sair da cidade. E as condições de vida pioraram, uma vez que Sirte está sob constante ataque da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

 

Youssef Ramadan, de 35 anos, disse que está sem energia elétrica desde 20 de agosto, um dia antes de as forças revolucionárias invadirem a capital Trípoli e obrigarem Kadafi a fugir. "Não há combustível e a comida está acabando", disse ele. "Muitos civis estão presos em suas casas por causa dos confrontos", afirmou Ramadan, que levava sua mulher, a filha de 2 anos e o filho de 7, o irmão e a mãe para fora da cidade, que tem cerca de 100 mil habitantes. Segundo ele, homens leais a Kadafi usam casas, escolas e hospitais para armazenar munição.

 

Trípoli caiu nas mãos dos oponentes de Kadafi em agosto, depois de seis meses de guerra civil que contaram com ataques aéreos da Otan. As ações da aliança auxiliaram os rebeldes, que tomaram a capital e expulsaram o ditador, que está há 42 anos no poder.

 

Embora os novos líderes líbios controlem a maior parte do país, eles não conseguiram ainda derrotar os homens de Kadafi em Sirte e em outros dois importantes redutos, o enclave montanhoso de Bani Walid e Sabha, no deserto, ao sul.

 

Mortos e feridos

 

Pelo menos 25 mil pessoas morreram no levante contra o regime de Kadafi e 50 mil ficaram feridas, afirmou o presidente do Conselho de Transição Nacional (CNT), Mustafa Abdel-Jalil, durante uma reunião de cúpula sobre a Líbia na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Ele também agradeceu a comunidade internacional pela ajuda prestada.

 

Jalil disse aos participantes do encontro que os membros do governo de Kadafi serão levados à Justiça, mas prometeu que terão "julgamentos justos". As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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