Cheslie Andal/Reuters
Cheslie Andal/Reuters

Moradores ignoram perigos de erupção e voltam para casa nas Filipinas

Após cerca de seis mil moradores terem sido deslocados, alguns filipinos têm voltado para cuidar de suas casas e animais

Jason Gutierrez and Jes Aznar / The New York Times, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2020 | 14h18

TAGAYTAY - Autoridades das Filipinas reforçaram novamente, nesta segunda-feira, 13, o alerta para que cidadãos deslocados após a erupção do vulcão Taal não voltem para suas casas, como alguns têm feito. Cerca de seis mil moradores foram deslocados horas depois que as atividades vulcânicas passaram a se intensifcar.

O Instituto Filipino de Vulcanologia e Sismologia alertou para uma "erupção perigosa" iminente que poderia causar um "tsunami violento" nas águas do lago ao redor da ilha vulcânica. No domingo, o instituto elevou o nível de alerta para quatro em uma escala de cinco e o Conselho Nacional de Redução e Risco de Riscos de Desastres pediu esvaziamento total da ilha vulcânica e áreas adjacentes suscetíveis.

A explosão inicial lançou uma nuvem de cinzas que pegou muitos moradores de surpresa nos arredores do vulcão, localizado a 64 quilômetros ao sul da capital, Manila. As cinzas do vulcão chegaram à cidade na segunda. 

Angelica Sinfuego, 32, que está grávida, disse que andou por três horas no domingo com seus dois filhos, Genean, 12, e Xyrene, 10, para conseguir estar em um local seguro. Ela teve de lidar sozinha com a situação porque seu marido, Jainan, foi para o exterior - no caso dele, para a Arábia Saudita, onde é técnico em automóveis - para encontrar trabalho e ganhar dinheiro.

"Era como o fim do mundo. Eu estava orando: 'Por favor, proteja o bebê, por favor proteja o bebê'", disse ela, falando no chão de um ginásio em Santo Tomas, onde moradores foram levados por tropas que os buscaram na cidade. "Estava escuro como a noite. Tivemos que superar vários obstáculos como árvores que caíram por causa do peso das cinzas que se assentavam sobre eles".  

Retorno

Mas o perigo não impediu algumas pessoas de voltarem para suas casas depois de terem fugido para locais seguros. Alguns moradores encontraram maneiras de voltar para olhar seus animais, apesar dos riscos. "Estamos pedindo apoio do governo para trazer mais soldados para ajudar a controlar moradores que ignoram os avisos e voltam", disse Wilson Maralit, prefeito da cidade de Balete, situada no lago ao redor do vulcão. “Eles passam pelo cordão de segurança e voltam para lá. Embora também entendamos que eles queiram cuidar de seus animais, não queremos que estejam em risco".

Na segunda, os moradores de cidades próximas estavam lavando lama de suas janelas e telhados, enquanto tremores continuavam balançando as cidades vizinhas.

"Há medo de que a qualquer momento isso possa explodir", disse o prefeito. "Pedimos às pessoas que fossem embora e as resgatamos. A princípio eles não quiseram sair, mas quando viram que (o vulcão) continuava lançando cinzas e vapor, foram forçados a ir."

No entanto, muitos homens voltaram para tomar conta de suas casas e do gado, apesar dos avisos. "Eles disseram que tinham porcos, cavalos e vacas para cuidar, e que simplesmente não abandonar deixar tudo", acrescentou Maralit.

A ilha vulcânica tem mostrado sinais de atividade desde o início do ano passado e entrou em erupção uma dúzia de vezes na história recente. O pitoresco vulcão fica em um lago que enche parcialmente uma caldeira formada há milhares de anos e é uma atração popular para os turistas que o vêem de uma cordilheira na província de Cavite, ao norte.

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