Doug Mills/The New York Times
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Moraine, em Ohio, é o retrato da dificuldade de recuperação econômica

Em 2008, cidade foi o centro das atenções quando a fábrica da General Motors montou seu último veículo

Denise Chrispim Marin, correspondente em Washington,

06 de novembro de 2012 | 08h30

WASHINGTON - Na eleição presidencial de 2008, a cidade de Moraine, no Estado de Ohio, esteve no centro das atenções. Em fevereiro daquele ano, a fábrica da General Motors montou seu último veículo, um GMC Envoy branco, e fechou suas portas depois de 47 anos. Os seus 2,4 mil funcionários foram demitidos no auge da crise financeira e seis indústrias fornecedoras seguiram o mesmo caminho, acabando com 6 mil postos de trabalho.

Na eleição de 2012, Moraine é o retrato da dificuldade de recuperação econômica. As contas municipais, afetadas pela perda de até 30% na arrecadação, ainda estão no vermelho. As casas estão caindo aos pedaços. Muitas foram abandonadas e contam as histórias de moradores expulsos por não pagar as hipotecas.

Michael Davis, diretor de desenvolvimento econômico da prefeitura, trabalha para atrair o investimento de grandes companhias de logística e distribuição. A empresa proprietária do antigo prédio da GM, a IRG, quer transformá-lo em um centro para indústrias e empresas de logística aeroespacial. Mas, até agora, não passam de planos.

No posto da Agência de Desenvolvimento da Força de Trabalho do Condado de Montgomery, onde está Moraine, cerca de 3 mil pessoas procuram emprego e treinamento a cada mês. Desse universo, cerca de mil são novos desempregados.

O problema de Moraine, segundo Heath MacAlpine, diretor do posto, está no envelhecimento da população, um fator que não anima investidores. "A situação é menos pior. Não voltamos ainda ao que éramos", disse.

Nem o presidente Barack Obama nem Mitt Romney passaram por Moraine durante a campanha. O pastor Henry Watts, de 73 anos, não confessa seu voto, mas relata ser ainda muito o sofrimento dos moradores com a perda de investimentos. Três casas em sua rua estão abandonadas. A busca por cestas básicas triplicou. Os jovens se foram à procura de trabalho. O consumo de drogas e a criminalidade subiram. "Esta já foi a cidade mais rica da região", disse o pastor.

O desemprego na cidade chegou a 12% em 2009. Hoje, está em 9%, ainda acima da média nacional, de 7,9%. A perda de operários, potenciais eleitores democratas, fez de Moraine um terreno republicano.

Donald Ashford, de 71 anos, dedicou os últimos meses a colocar placas de Romney nos jardins e esquinas da cidade. Sentado à mesa de um fast-food, Ashford diz que foi eleitor do Partido Democrata até 2008, quando votou pela primeira vez em um candidato republicano. O fechamento da GM, naquele ano, causou "um trauma" em toda a região. Obama não lhe parecia a melhor escolha. Ele o "assustava".

"Agora, trabalho duro para Obama não ser eleito. Romney põe a mão no coração quando toca o hino nacional. É um bom homem", explicou Ashford, metido em um boné da Associação Nacional do Rifle, poderosa organização de direita que defende o direito ao porte de armas de fogo. "Não sou racista, mas Obama é muçulmano. Eu o estou acompanhando desde 2008, li tudo o que foi publicado sobre ele."

John Wendling, de 50 anos, operário de uma fábrica de instrumentos médicos, não passou pelas dificuldades do desemprego. Ele se diz "totalmente republicano", apesar de ter aplaudido algumas das medidas tomadas pelo democrata Bill Clinton na Casa Branca. Em 2008, votou no senador John McCain e agora está com Romney.

Sua sogra, Betty Richards, de 72 anos, aprova a diminuição do tamanho do governo federal, ideia defendida por Romney, e não se sente ameaçada por sua proposta de limitar o programa Medicare, de assistência à saúde gratuita para os idosos. Para ela, o tema mais importante da eleição não é a economia nem a decadência da cidade onde vive desde 1959. "A questão mais relevante é o aborto. Não quero ver o governo gastando o nosso imposto com abortos", afirmou. 

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