Morales aceita diálogo para tentar acabar com crise

O presidente da Bolívia, Evo Morales, aceitou o diálogo com o Movimento Cívico, que começa com uma reunião nesta quarta-feira para debater as divergências que levaram à mais grave crise política de seu governo. O encontro foi marcado na noite de terça-feira durante reunião entre o líder socialista e o presidente do Comitê Cívico de La Paz, Jorge Ríos, no Palácio de Governo, transmitida pelo canal estatal de televisão. Como Morales vai viajar à Nigéria e Cuba, as conversas ficarão sob responsabilidade do vice-presidente, Álvaro García Linera, que receberá os líderes cívicos nesta quarta-feira à noite. Antes da reunião, fontes dos comitês cívicos de Santa Cruz e Beni disseram que não tinham recebido o convite para ir a La Paz. No encontro, Morales insistiu no seu propósito de pedir a aprovação parlamentar de reformas na lei agrária e um mecanismo de fiscalização dos governadores regionais. Ríos expôs a Morales os pedidos dos Comitês Cívicos dos nove departamentos (Estados) do país, que na segunda-feira deram um prazo até quinta-feira para que o governo recuasse de sua posição na Assembléia Constituinte. Após uma hora de conversas, o governante aceitou a solicitação do dirigente cívico e marcou a reunião. Quase ao mesmo tempo, começou uma sessão do Senado com a presença de um titular e um suplente da aliança de oposição Poder Democrático e Social (Podemos) e um suplente da União Nacional (UN). Com eles, os 12 senadores do governista Movimento Ao Socialismo (MAS) formaram o quórum suficiente para começar a aprovar o projeto de reforma agrária. Horas antes, o líder da Podemos, o ex-presidente Jorge Quiroga, acusou o presidente Morales de "manipular" os índios que reivindicam uma reforma agrária e pediu o respeito à legalidade no funcionamento da Assembléia Constituinte. Podemos, UN e Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR) não aceitam que os artigos da nova Constituição boliviana sejam aprovados por maioria simples (128 votos) e exigem que seja por dois terços (170) dos 255 membros da Assembléia. Para pressionar ao Governo, há duas semanas grupos de ativistas da UN fazem greve de fome em várias cidades.

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