Morales acusa oposicionistas de tentarem sabotar seu governo

Líderes de quatro Departamentos defendem maior autonomia e o controle sobre suas reservas de gás

REUTERS

22 de abril de 2008 | 21h16

O presidente da Bolívia, Evo Morales, acusou na terça-feira, 22, os líderes oposicionistas de promoverem a autonomia regional como forma de sabotar suas políticas de ajuda à maioria pobre e indígena do país. Líderes de quatro dos nove Departamentos bolivianos defendem uma maior autonomia e o controle sobre suas reservas de gás. Santa Cruz, a região mais rica do país, realiza no dia 4 um referendo sobre a autonomia, que não é considerado válido pelo governo e pela Justiça. Morales, eleito em 2006, disse que seus rivais simplesmente querem enfraquecer o seu programa esquerdista. "Agora que eles perderam o poder querem autonomia. A questão central é a luta pelo dinheiro." Os indígenas representam cerca de 60 por cento da população, e Morales mantém sua popularidade graças a iniciativas como a nacionalização dos recursos naturais e a preparação de uma nova Constituição que deve dar mais direitos aos povos indígenas.   A oposição a Morales é maior nas planícies do leste, a região mais rica, onde há menor presença indígena.   Morales diz que a autonomia regional serviria para que uma minoria rica mantivesse seus tradicionais privilégios. "É discriminação. Se me chamam de animal, estúpido, de que estariam chamando a população?"   Para ele, o referendo de Santa Cruz não vai mudar nada, por ser ilegal. "Sinto que haverá fraudes, pois não haverá observadores. Eles podem manipular o quanto quiserem, mas para nós é uma pesquisa, uma pesquisa de opinião, então não é de cumprimento compulsório", afirmou. A exemplo de seu aliado venezuelano Hugo Chávez, principal liderança anti-americana na América Latina atual, Morales também acusa os Estados Unidos de tentarem derrubá-lo. "Os Estados Unidos estão liderando uma conspiração contra o meu governo. Não concordam com a direção da Bolívia e planejam enfraquecer, derrubar Evo," disse Morales, descartando no entanto o uso das Forças Armadas para manter o país unido. "Não haverá estado de emergência, não haverá militarização, acredito na consciência do povo."

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