Morales decreta ocupação de órgãos públicos em Santa Cruz

O governo do presidente Evo Morales decretou nesta quarta-feira a ocupação de alguns órgãos públicos da cidade de Santa Cruz pelo Exército. Segundo oficiais, a medida foi tomada porque havia a possibilidade que algumas instituições oficiais fossem invadidas. A questão é, em parte, um desdobramento do referendo sobre a autonomia, realizado no domingo. A cidade de Santa Cruz é a capital do departamento (Estado) de mesmo nome, um dos quatro em que o pedido o "sim", por autonomia, ganhou - ao contrário do defendido pelo governo central, de Evo.A administração federal já havia afastado o comandante Wilfredo Torrico, pela atitude passiva da polícia durante uma violenta manifestação, na segunda. Jovens da Unión Juvenil Cruceñista (UJC) e da Federación Universitaria Local (FUL) agrediram indígenas que estavam concentrados na sede de um sindicato da região.Atitude fascista A ministra do Interior, Alicia Muñoz, disse que a atitude "fascista" não havia sido coibida e justificava o afastamento. O prefeito de Santa Cruz, Rubén Costas, protestou contra a medida federal, dizendo que o comandante havia sido deposto pois não era um "cachorro do centralismo". Torrico justificou que seus comandados não intervieram porque os grupos de jovens "estavam armados".O chefe do Exército boliviano, general Freddy Bersati, disse que interveio pois a polícia afrontava a decisão do afastamento de Torrico. Os órgãos ocupados pelo Exército foram escritórios da secretaria de impostos, do instituto nacional de reforma agrária e da empresa nacional de trens.O vice-presidente Alvaro García, em declaração conciliadora, pediu que as diferenças entre o governo central e a oposição "se canalizam na Assembléia Constituinte". Além do referendo sobre a autonomia, o país escolheu no domingo os membros para escrever a nova Carta boliviana. Com 87% das urnas apuradas, o Movimento ao Socialismo (MAS), do presidente, possuem 50,1% dos votos válidos. Os oposicionistas do Podemos aparecem com 15,6%. O centrista Unidade Nacional (UN) está em terceiro, com 7,7%.

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