Morales diz que deseja diálogo com os EUA

O presidente eleito da Bolívia, Evo Morales, demonstrou espírito conciliador para com os Estados Unidos, ao dizer que perdoava humilhações do passado e que deseja o diálogo. Morales, que vem denunciando o "imperialismo" americano e a política de erradicação da folha de coca na Bolívia, disse que havia lido na internet que as autoridades de Washington estariam interessadas em manter um diálogo."Qualquer diálogo orientado a pôr fim à discriminação e à pobreza é bem-vindo", disse Morales na África do Sul, onde chegou ontem, depois de visitar países europeus e a China. "Também perdôo aqueles da Casa Branca por tantas humilhações. Os perdôo porque através do diálogo devemos buscar a paz e a justiça social", prosseguiu.Ontem, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou que os Estados Unidos estavam conspirando para derrubar Morales, declarações que a Embaixada dos EUA na Bolívia classificou de "ridículas". Chávez não comprovou sua afirmação com dados concretos, mas disse que seu governo apoiará Morales caso alguém tente derrubá-lo. Morales, que assumirá no próximo dia 22, será o primeiro presidente de origem indígena da Bolívia.Ele chegou à África do Sul para se reunir com líderes políticos e empresariais. Ontem, conversou, entre outros, com Roelf Meyer, um ex-ministro de gabinete da época do apartheid, e Cyril Ramaphosa, dirigente do partido governante Congresso Nacional Africano. Ambos participaram das negociações que puseram um fim ao domínio branco e ajudaram no trabalha da redação de uma nova Constituição.Hoje, Morales se reuniu com o presidente Thabo Mbeki, sucessor do primeiro presidente sul-africano negro, Nelson Mandela. Também havia solicitado uma reunião com Mandela, o símbolo da luta contra o apartheid, mas ele se encontrava fora do país. Amanhã, Morales viajará ao Brasil, última etapa de sua viagem internacional antes da posse.

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